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Ano III - Edição 3 Maio Junho 2006



Palavras do Presidente
Elisa Maria Perina
Agradecemos a todos os membros da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia que nos deram apoio, força, incentivo e, principalmente, confiaram em nossa capacidade e potencial para assumir a presidência desta Sociedade. A missão que assumimos nos engrandece e esperamos corresponder às expectativas de nossa comunidade científica
Cuidar da SBPO nos transpõe para a relação de cuidado que temos preconizado para com nossos pacientes, seus familiares e equipe. Cuidar com amor, carinho, zelo, desvelo, responsabilidade, co-participação, decisões compartilhadas, respeito, dignidade e ética. Difícil tarefa, mas não impossível, se tivermos a certeza de poder contar com todos que têm trabalhado na edificação desta Sociedade. Cada um, de acordo com seu dom e seu jeito especial de ser, constituiu seu grupo de trabalho e construiu pilares importantes de sustentação para a psico-oncologia no Brasil.
Assim se deu a constituição da nova diretoria da SBPO. Escolhemos como parceiros, para viabilização de nossas propostas de trabalho, pessoas com as quais compartilhamos, há muitos anos, dos mesmos ideais, sonhos, angústias e expectativas relacionados à assistência, ensino e pesquisa em psico-oncologia. A integração dos profissionais que atuam nas áreas de pediatria e de adulto e que congregam saberes específicos, com certeza, irá ampliar o universo de abrangência de atuação. Esperamos que, com nossos conhecimentos e experiências no campo da psico-oncologia, seja possível estabelecer pontes entre os vários estados do país, construindo uma rede de relações e de integração entre os diversos serviços.
Desta maneira, estaremos cumprindo com um de nossos objetivos que consiste em ampliar e fortalecer a SBPO em todo território brasileiro. Para realização desta proposta, os presidentes das regionais, em conjunto com a nacional, estarão indicando representantes de cada Estado, tendo como linha de atuação trabalhar em consonância com as diretrizes e metas da regional a qual pertence, considerando as especificidades de cada região do país. Com a ampliação de seu campo de trabalho, teremos maior intercâmbio de idéias e possibilidades de estudo e pesquisa, bem como a criação de novos programas de prevenção e de intervenção, de acordo com as políticas de saúde que governam o Município ou Estado.
Dentre as muitas propostas de atuação delineadas para esta gestão, faz-se necessário o estabelecimento de metas a curto, médio e longo prazo.
Como proposta inicial de trabalho, será realizado levantamento de todos os serviços de oncologia no Brasil, em conjunto com as regionais e representações estaduais, no sentido de mapear e identificar como estão estruturados e sistematizados em relação à assistência, ensino e pesquisa em psico-oncologia.
Não poderia deixar de mencionar que recebemos de presente, de uma pessoa que nos é muito cara e muito especial dentro da psico-oncologia, a Prof. Dra. Maria Margarida de Carvalho, a sugestão de criarmos novas comissões coordenadas por pessoas de referência em determinada área congregando, assim, um número maior de indivíduos com interesses comuns, seja na área assistencial, ou de ensino e pesquisa Algumas comissões já existiam, novas foram aprovadas e constituídas, outras encontram-se em fase de estruturação Até o presente momento, temos: Comissão Científica: Prof. Dra. Maria Margarida de Carvalho, Comissão de Certificação:Dra. Maria Tereza Veit, Comitê de Pediatria: Prof.Angela Damásio, Comissão de Saúde da Mulher:Prof.Dra. Vera Lucia Rezende, Comissão de Divulgação:Prof.Dra. Elisa Maria Parayba. Oportunamente estaremos informando as Comissões que irão sendo constituídas, com suas respectivas propostas de trabalho. Na área de investigação científica, temos interesse em incrementar os estudos cooperativos e multicêntricos relacionados aos pacientes, familiares ou equipe. O primeiro estudo multicêntrico sobre Qualidade de Vida já começou a ser conduzido por Sebastião Benício da Costa Neto, presidente da regional Centro-oeste. A oportunidade de trocas favorece a descoberta de novos caminhos, nunca antes percorridos, mas que nos fascinam e nos levam em busca de novas possibilidades.
Pretendemos, ainda, continuar promovendo encontros, simpósios, cursos de introdução ou de especialização em psico-oncologia, com o objetivo de promover acréscimos à formação do aluno em graduação ou pós-graduação e da equipe multiprofissonal. Vale ressaltar que o próximo Congresso será em Fortaleza, em 2008, sob a responsabilidade da regional Nordeste, cuja presidente é a Dra.Conceição Ap. Machado de Souza.
Muitas conquistas já foram feitas pelas diretorias anteriores e abriram caminhos que nos dão, hoje, a possibilidade de consolidar e fortalecer cada vez mais nossa Sociedade. Diretrizes serão traçadas para que haja efetivamente o desejo de outros profissionais de integrar nosso grupo.
Novas parcerias entre sociedades afins são de suma importância. Dentro desta concepção, estivemos na inauguração do Serviço de Radioterapia do Centro Infantil Boldrini, no dia 5 de maio de 2006, onde fizemos proposta de parceria com a Sociedade Brasileira de Radioterapia, através de seu ex-presidente, o Dr.Paulo Eduardo Novaes e reiteramos nosso compromisso de trabalho conjunto com a Sociedade Latino Americana de Oncologia pediátrica (Slaop), e com os delegados presentes na reunião, representantes dos países: Argentina, México, Bolívia, Uruguai, Equador, Chile, e Brasil. No momento da aceitação da proposta recebemos convites para participação no Congresso de Radioterapia, em dezembro deste ano, a ser realizado, em Búzios, bem como do próximo Congresso da Slaop a realizar-se em abril de 2007, na cidade de Puebla, no México. Como membro da coordenação do Comitê Psicossocial da Slaop e presidente da SBPO, estarei participando da organização do Simpósio Psicossocial e, com muita honra, representando a SBPO no congresso. Existe, ainda, a possibilidade de concretizarmos a proposta de estudos cooperativos entre o Comitê Psicossocial da Slaop e o de Pediatria da SBPO.
Com o Sindicato dos Médicos de Campinas e Região, durante a posse da nova diretoria, em maio de 2006, na pessoa do novo presidente, Dr.Moacyr Perche, estabelecemos propostas de atividades científicas conjuntas.
Consolidamos, assim, mais um de nossos objetivos, que é de expandir nossos conhecimentos junto a outros grupos e trabalhar na busca contínua de sentidos e mais sentidos no vasto campo da psico-oncologia e da subjetividade.
Agradecemos, uma vez mais, a todos que estiveram ao nosso lado, compartilhando de nossas angústias, nos apoiando e nos ajudando na formalização de nossas propostas de trabalho. A amizade, carinho e amor, aliados ao saber técnico-científico que sempre respaldaram nossas ações, dão força e coragem para enfrentar a nova jornada.
Contando com o apoio e colaboração de todos, desejamos que as luzes do conhecimento brilhem intensamente dentro de cada um, iluminando seus passos, como uma estrela guia em direção a novas possibilidades de intervenção e de estudos no ilimitado campo da psico-oncologia.

ÚLTIMA CARTA
Vicente A. de Carvalho
Meus caros companheiros.
Terminamos no início de maio passado nossa gestão frente à SBPO. A rigor, foram duas gestões, já que havíamos sido reeleitos em novembro de 2003 para um novo período de mais dois anos. Quero lhes falar um pouco desse último período, de 2004 a 2006 nesta que chamei de “a última carta”.
Ao relembrar estes dois anos percebemos que houve alguns pontos relevantes acontecidos com a SBPO que merecem ser citados.: estão entre eles a questão da comunicação entre nossa Sociedade e os profissionais da área de Psico-Oncologia e a questão da Certificação de profissionais da área, as ações visando a inserção de nossa Sociedade no panorama da política do câncer em nosso país e também na América do Sul.
Desde que assumimos a diretoria da SBPO tivemos como objetivo ampliar a comunicação entre a sociedade e aqueles que militam na área da psico-oncologia. O primeiro passo para realizar este projeto foi reativar o nosso “site”. Através dele pudemos estabelecer contato com muitos colegas e estes conosco. Vários colegas de outros países também nos contataram tendo sido possível iniciar um intercâmbio com psico-oncologistas de outros países, sobretudo da América do Sul. Esse “site” contribuiu para que a Sociedade pudesse ser mais conhecida, além de ser um instrumento de informação eficaz.
Um outro instrumento de comunicação criado durante nossa gestão foi o nosso Boletim Eletrônico. Esta foi uma publicação bimensal que serviu para divulgação das atividades da SBPO bem como de publicações científicas de nossos associados. Esta publicação teve uma abrangência nacional, já que foi enviada para uma extensa mala direta com endereços em todos os estados do país.
Outro tema que foi longamente discutido por essa diretoria foi o da legitimação da profissão de psico-oncologista. Esbarramos em várias dificuldades sobretudo aquelas relacionadas às próprias características de nossa área, ou seja, a multidisciplinaridade. Houve, em alguns momentos, a possibilidade de instituirmos o título de especialista para uma ou outra das profissões que compõe o espectro multidisciplinar da psico-oncologia. Optamos por uma outra modalidade que não fosse excludente de nenhuma categoria profissional. Depois de consultas ao Conselho Federal de Psicologia e a advogados escolhemos instituir a Certificação de Distinção de Conhecimentos na área de Psico-Oncologia.
A certificação ocorreu em duas modalidades: certificação direta para aqueles com mais de cinco anos de atuação na área e com comprovada experiência e por prova. A prova foi realizada durante o IX Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia realizado em São Paulo de 28 de abril a 1º de maio deste ano. Houve uma grande demanda tendo sido certificados cerca de 120 profissionais. Dado o grande interesse despertado e havendo pessoas que não puderam se inscrever no prazo determinado a SBPO abriu inscrições para uma segunda chamada a ser realizada em agosto deste ano.
Temos certeza de que esta iniciativa projeta a SBPO bem como promove os psico-oncólogistas dando assim uma expressiva contribuição para a consolidação desta especialidade.
Em outro momento já havia me referido à inserção da SBPO no panorama político das políticas de câncer de nosso país. Assim, retomamos o contato com o INCA, através de seu então presidente Dr. José Gomes Temporão. Foi, desta maneira, reativada a participação de nossa Sociedade no GAT (Grupo de Assessoria Técnica) do CONSINCA.
No plano internacional alguns fatos relevantes se passaram. A participação do Dr. Christofer Johansen, presidente da International Psycho-Oncology Society (IPOS) em nosso VIII Congresso, estreitando os laços entre essas sociedades. Como decorrência desse fato fomos convidados a apresentar um trabalho, na qualidade de conferencista, no VII Congresso Internacional de Psico-Oncologia acontecido em Copenhagen, Dinamarca em 2004. Além disso o presidente da SBPO foi eleito membro da Diretoria da IPOS.
Em relação à América do Sul, vale lembrar que fomos convidados a participar de alguns congressos. O primeiro deles aconteceu em Santiago do Chile também em 2004. Foi o I Encontro Internacional de Psico-Oncologia e Cuidados Paliativos. Seguiram-se dois outros congressos na Argentina: um em Córdoba e outro em Buenos Aires, ambos realizados em 2005. O contato com os colegas desses países foi o estímulo necessário para se ampliar o intercâmbio entre nossos países. Assim sendo em nosso último congresso brasileiro acontecido em abril passado realizamos também o II Encontro Internacional de Psico-Oncologia e Cuidados Paliativos. Este evento propiciou que se reunissem colegas do Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Venezuela e que fosse assinado um documento de declaração de intenção de fundação de uma sociedade latino-americana de Psico-Oncologia. Para a realização desse projeto ficou nomeada uma comissão tendo em sua coordenação o então presidente da SBPO.
Outras atividades foram desenvolvidas, mas como essa carta não pretende ser uma prestação de contas, mas apenas assinalar alguns pontos mais significativos das atividades da SBPO, enquanto esteve sob nossa responsabilidade e ser também uma carta de despedida, não cabe enumerar demais ações.
Temos a certeza, sem falsa modéstia, que ao entregar a Diretoria da SBPO deixamos nossa Sociedade mais fortalecida, com alguns novos caminhos desbravados. Abrimos também algumas novas possibilidades para o desenvolvimento da Psico-Oncologia através dos contatos internacionais que seguramente resultarão num incremento do intercâmbio técnico-científico entre colegas de alguns países.
Ao finalizar esta carta resta-me revelar um desejo e uma ambição: de que todo o esforço despendido nas ações realizadas neste período possam servir de estímulo para que muitos outros colegas se engajem com mais entusiasmo ainda na tarefa de continuar o desenvolvimento da Psico-Oncologia em nosso país.
Neste momento nos resta manter o espírito que norteou toda a diretoria que tive o prazer de presidir para continuarmos as tarefas que se delineiam e também dizer de nossa certeza de que a diretoria recém empossada levará a SBPO ainda mais adiante, dada a conhecida qualidade dos profissionais que a assumiram.

RELATÓRIO DA DIRETORIA DA SBPO

GESTÃO 2004-2006

1. Consolidação da área da Psico-Oncologia
Os objetivos desta gestão envolveram o desenvolvimento de uma maior integração entre os profissionais que trabalham em Psico-Oncologia, fundamentada em adequadas habilitações profissionais, voltadas para as necessidades atuais da realidade brasileira e, em particular, latino-americana. Buscou-se favorecer a discussão e reafirmação da área de conhecimento, das práticas e pesquisas, reforçando as especificidades desta especialidade da área da saúde. Para tanto, houve a preocupação desta diretoria em manter estreito contato com os profissionais e estudantes da área, via vários meios de divulgação e intercâmbio de experiências, entre os quais destacamos: o site da SBPO (que recebe visitas de todos os cantos do mundo), Boletim Eletrônico da SBPO (com aproximadamente 11 mil visitas). A Certificação de Conhecimento e Distinção em Psico-Oncologia e o estabelecimento de critérios para os cursos de especialização, aprimoramento, aperfeiçoamento e extensão caminham também nesta direção, o que ressalta a consolidação da preocupação desta diretoria quanto à qualificação dos profissionais para uma prática que reflita postura crítica e ética, aliada à qualidade.



2. Site da SBPO: www.sbpo.org.br

O site da SBPO traz inúmeras seções envolvendo notícias da diretoria, da área da Psico-Oncologia, notícias sobre cursos e eventos, diretrizes para a associação à Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia e referências bibliográficas na área. O site é consultado freqüentemente pelos sócios e por profissionais e estudantes da área, assim como por pessoas interessadas em indicação de terapeutas para pacientes com câncer e leigos em busca de informações gerais, que os auxiliem a conhecer mais sobre câncer, direitos do paciente, entre outros assuntos Até esta data computamos aproximadamente 100 mil consultas. A atualização do site é responsabilidade de Maria Helena Pereira Franco.

É também uma importante via de comunicação da SBPO com a comunidade, pois representa o uso dos recursos da rede internacional de comunicação – internet - para viabilizar e agilizar a transmissão de informação e de conhecimento.



3. Boletim Eletrônico da SBPO

Também um importante instrumento de comunicação para profissionais e estudantes da área da Psico-Oncologia, traz artigos recentes de pesquisadores na área, que podem divulgar os seus trabalhos e também conhecer os trabalhos dos colegas. É também, pelas palavras do Presidente da SBPO, importante instrumento de divulgação das propostas da diretoria, trazendo um retrato fiel de várias de suas idéias. Foi criado em março de 2004, portanto na gestão anterior à desta diretoria, porém com continuidade e consolidação nesta gestão. Sua periodicidade é bimensal e está sob a coordenação de Rita de Cássia Macieira. Conta atualmente com 11 mil leitores e são praticamente diários os pedidos de inclusão para recebê-lo eletronicamente.



4. Certificado de Distinção de Conhecimento na Área da Psico-Oncologia

Foi uma proposta desta diretoria como forma de consolidação da área da Psico-Oncologia e reconhecimento de profissionais com significativa atuação na área, com vistas a uma maior inserção dos profissionais credenciados nesta área do conhecimento junto à área mais ampla da Saúde, conferindo visibilidade e credibilidade aos mesmos. A área de Psico-Oncologia é multidisciplinar, tendo profissionais de várias formações, o que sempre dificultou a busca do título de especialista pelos caminhos habituais, como cursos e Conselhos Regionais das diversas categorias. Depois de muitos estudos e consultas aos conselhos federais e órgãos jurídicos foi proposta esta modalidade: Certificação de Distinção de Conhecimento na área de Psico-Oncologia, a associados da SBPO. É uma proposta de referendar o exercício da Psico-Oncologia junto a clientes individuais e institucionais, passo importante para consolidação da área.

Foi solicitada a assessoria da psicóloga Maria Teresa Veit que coordenou a Comissão de Certificação composta pelos seguintes membros: Elisabeth Ranier Martins do Valle, Márcia de Carvalho Stephan, Sebastião Benício da Costa Neto, Dóris Peçanha, Arli Pedrosa.

Foram propostas duas modalidades de certificação: direta e prova de conhecimentos. Para certificação direta foram pedidos documentos comprobatórios e cartas de confirmação de prática em Psico-Oncologia por mais de 5 anos, além e confirmação de associação à SBPO com anuidades em dia. Esta modalidade será efetuada uma única vez, agora em 2006.

A outra modalidade foi por meio de prova de conhecimentos e análise de títulos para aqueles com menos de 5 anos de atuação na área, realizada em 29 de abril de 2006, durante o IX Congresso Brasileiro da SBPO. Esta modalidade deverá ocorrer nos próximos congressos da SBPO.

Todas as informações sobre a Certificação foram amplamente divulgadas na forma de Edital, no site da SBPO e no Boletim Eletrônico da SBPO.

Dados numéricos:

- 142 pedidos de certificação

- 103 certificações na modalidade direta

- 4 pendências

- 3 desistências de participação na prova

- 2 solicitações não aceitas

- aprovados por prova



5. Regulamentação e estabelecimento de critérios para cursos reconhecidos pela SBPO

A Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia não mais ministra cursos na área. No entanto, empenhada em aperfeiçoar a estrutura de formação e aprimoramento de profissionais interessados na área da Psico-Oncologia, desenvolveu critérios para regulamentação e estabelecimento dos cursos. Entre os critérios estão: duração, programação, atividades didáticas, número de hora de estágios, composição do corpo docente, avaliação via monografias, no caso de cursos de especialização, de forma a atender as normas do MEC. Foram também estabelecidos os critérios para cursos de aperfeiçoamento, extensão e aprimoramento. Estes critérios foram informados àqueles que manifestaram interesse na organização destes cursos e foram divulgados no site da SBPO, para democratizar a informação. Este trabalho foi coordenado pela psicóloga Luciana Holtz de Camargo Barros.



6. IX Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia e II Encontro Latino-Americano de Psico-Oncologia e Cuidados Paliativos

A organização do IX Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia, com a temática Admirável Mundo Novo, Avanços da Ciência e Bioética, procurou favorecer a discussão dos grandes avanços na área da Oncologia sem perder a dimensão do Humano, tarefa prioritária da Psico-Oncologia.

Neste congresso ocorreu também o II Encontro Latino-Americano de Psico-Oncologia e Cuidados Paliativos, ampliando a possibilidade de intercâmbio de conhecimentos, práticas e pesquisas com representantes de outros países da América Latina. Este evento é seqüência do I Encontro Internacional de Psico-Oncologia que ocorreu em janeiro de 2004, em Santiago do Chile, quando Vicente de Carvalho foi convidado para proferir a Conferencia de Abertura.

Foi convidado Gonzalo Rojas-May, presidente do I Encontro Internacional, para ser vice-presidente do II Encontro Latino-Americano de Psico-Oncologia e Cuidados Paliativos, que ora realizamos. Cabe ressaltar que ele foi Presidente da Associacion Chilena de Psicooncologia.

Além da parte científica do Congresso da SBPO, foi realizado o Encontro Multidisciplinar para Pacientes com Câncer e seus Familiares, dia 28 de abril de 2006, das 09h00min às 15h00min. Foi estabelecida uma parceria entre a SBPO e o portal Oncoguia, de modo a proporcionar um espaço de troca e aprendizado entre pacientes, familiares e profissionais. O evento foi gratuito e sua programação inclui a presença de especialistas na área da Psicologia, Oncologia, Enfermagem, Fisioterapia, Odontologia, Nutrição e Direito. A prioridade do evento foi a Qualidade de Vida do Paciente, com espaço para depoimentos e troca de experiências. Foram feitas parcerias com associações para pacientes com câncer e apoio a pessoas em vulnerabilidade, como: Abrale, Abcancer, IGM, Cora, Cajec, Grendacc, Graac, Rede Feminina de São Caetano, 4 Estações e Unaccam.

A coordenação do evento ficou a cargo de Luciana Holtz Camargo de Barros e Maria Teresa Veit.



7. Contatos e participação da SBPO em eventos internacionais
7.1. VII Congresso Internacional de Psico-Oncologia – IPOS – Copenhagen, Dinamarca, de 25 a 28 de agosto de 2004

O tema principal deste Congresso foi “Compreendendo diversidades, desenvolvimento de estratégias para a Oncologia Psicossocial” e envolveu diretrizes clínicas de cuidado psicossocial a pacientes com câncer e seus familiares, com enfoque multidisciplinar, numa perspectiva de diversidade a partir das várias partes do mundo representadas. Daí destaca-se a importância da presença de Vicente de Carvalho ao evento, tanto para divulgar o nosso trabalho e de nossos colegas latino americanos, quanto para conhecer o que é feito em outros países.

Participação do Presidente da SBPO, Vicente de Carvalho em uma Mesa Redonda com o tema “Psico-Oncologia nos países em desenvolvimento”, ao lado de: Dr Santosk Chatuverdi (Índia) e Dra Linda Greeff (África do Sul). Ao Vicente coube falar da Psico-Oncologia na América do Sul. Para apresentação deste trabalho, foi elaborado um questionário sobre a Psico-Oncologia nas diversas regiões de nosso país e dos países latino-americanos, que responderam à pesquisa proposta. Infelizmente, nem todos os países consultados responderam, o que não permitiu que se tivesse um panorama mais amplo. Fica o desafio para identificar colegas e serviços que atuam na área para ter este panorama e promover uma maior integração, o que certamente será favorecido pelo Congresso da SBPO que agora integra um evento latino-americano.

7.2. IX Jornada de Oncologia da Sociedade de Oncologia de Córdoba – Argentina.

O convite foi feito à Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia, na figura de seu Presidente, Vicente de Carvalho que, impossibilitado de comparecer, enviou Maria Teresa Veit como representante da SBPO. Esta ministrou duas conferencias: “Psiconcologia no Brasil” e “Prevenção de Câncer no Brasil” e participou também de um “Almoço com o Professor”, encontro informal com participantes interessados em se aproximar de profissionais.

7.3. Congresso Internacional de Oncologia, XVII Congresso Argentino de Oncologia Clínica, I Congresso Latino-Americano e do Caribe de Oncologia Clínica, Outubro de 2005.

Foi convidado Vicente de Carvalho, que proferiu Conferencia de Abertura do Encontro de Psiconcologia e participou da Mesa Redonda: Panorama de Psiconcologia na América Latina.



8. Assento no Board of Directors da IPOS – International Psycho-Oncology Society
Vicente de Carvalho, Presidente da SBPO faz parte do Board of Directors da IPOS, desde 2005.Participou da reunião do Board por ocasião do VII Congresso da IPOS, e tem participado virtualmente das reuniões tomando conhecimento da pauta e decisões e informando os eventos brasileiros.



9. Eventos organizados pela Diretoria da SBPO
· Jornada comemorativa dos 10 anos da SBPO
Foi organizado o Simpósio da SBPO – na comemoração dos 10 anos de fundação da SBPO, em maio de 2004. Contamos com a presença do Dr José Gomes Temporão, na época Presidente do INCa. Nesta ocasião foram homenageados com uma placa comemorativa os presidentes anteriores da SBPO, alguns deles presentes no evento: Teresa Barreto Prudente, Maria da Glória Gimenes, Ana Maria Caran de Miranda, Paulo Cyrillo.

Contou com o apoio da Fundação Oncocentro de São Paulo e do Laboratório Astra-Zeneca.

· Comemoração do Dia Internacional dos Hospices

Foi comemorado em 8/10/2005 o Dia Internacional dos Hospices em evento conjunto da SBPO, representada por Maria Helena Pereira Franco, o 4 Estações Instituto de Psicologia e o Núcleo de Atendimento Domiciliário Interdisciplinar – NADI – do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, representado por seu coordenador, Toshio Chiba. Foi exibido o vídeo Voices from the hospices, adquirido na Help the Hospices, em Londres, seguido de discussão pelos presentes, acadêmicos, residentes, profissionais de Medicina, Psicologia, Enfermagem, Serviço Social.

· Participação de aulas sobre Psico-Oncologia na Conexão Médica

A Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia foi convidada na figura do seu Presidente a ministrar aulas virtuais na Conexão Médica em seu programa de educação continuada patrocinada pela Sociedade Brasileira Cancerologia. Em novembro de 2004 foi ministrada a aula “Papel da Psico-Oncologia nos Programas de Prevenção do Câncer. Participaram: Vicente Augusto de Carvalho, Maria Helena Pereira Franco, Maria Julia Kovács, Maria da Glória Gonçalves Gimenes, Maria Teresa Veit e Ana Maria Caran Miranda (de Goiânia). Pela SBC, estiveram presentes André Perdicaris e Ricardo Antunes. Em julho de 2005 foi ministrada a aula “Psico-Oncologia e os cuidados com o cuidador. Participaram pela SBPO: Vicente Augusto de Carvalho, Maria Julia Kovács. Pelo HC-USP: Maria Goretti S. Maciel. Pela SBC, estiveram presentes André Perdicaris e Ricardo Antunes. Em abril de 2006 foi ministrada a aula “Hereditariedade e Câncer: Visão espiritual e psico-oncológica”. Participaram Rita de Cássia Macieira, pela SBPO; Vera Anita Bifulco, pelo Instituto Paulista de Cancerologia e Monja Cohen. Pela SBC, esteve presente André Perdicaris.

· Curso de Especialização da SBPO Foi realizado no Rio de Janeiro o III Curso de Especialização em Psico-Oncologia da SBPO, coordenado por Márcia Stephan, configurando uma continuidade desta proposta.



10. Participação da SBPO no Conselho Consultivo do INCa
Em gestão anterior da SBPO (2000-2002) foram feitos contatos políticos para ampliação da atuação da SBPO, inserindo-a no panorama nacional. Em 1º de maio de 2004, com a presença do Dr José Gomes Temporão, foi feito o convite à SBPO para integrar o Grupo de Assessoria Técnica do Conselho Consultivo do INCa. Este fato abre a possibilidade da SBPO participar das políticas públicas referentes ao atendimento de pacientes com câncer e seus familiares, principalmente no que se refere à nossa especialidade, a Psico-Oncologia. Vicente de Carvalho, Presidente da SBPO participou de algumas destas reuniões, tendo sido substituido, em sua impossibilidade, por Márcia de Carvalho Stephan, do Rio de Janeiro.



11. Estatutos
Foram realizados os ajustes nos Estatutos para adequá-lo ao novo Código Civil, após consulta à Assessoria Jurídica da SBPO. Os ajustes dizem respeito apenas às necessidades trazidas pelo Código Civil e não representam alterações que pudessem requerem assembléia específica para discussão das mesmas.



12. Organização dos sócios

A SBPO conta atualmente com 189 sócios. Demandou uma grande tarefa de organização e atualização, além de ressaltar-se a importância de os sócios se manterem em contato com a SBPO, para que associar-se realmente signifique um engajamento com a proposta da sociedade e uma relação de troca, não somente motivada pelo interesse recente em obter o Certificado de Distinção de Conhecimento.



São Paulo, 30 de abril de 2006



Maria Helena Pereira Franco

Secretária Geral da SBPO

Gestão 2004-2006

Posturas Profissionais no Contexto da Psico-Oncologia1

Dóris Lieth Peçanha2

A atuação profissional em psico-oncologia deve estar sujeita às variações do contexto em que está inserida. Porém, sempre carregamos uma carga de características pessoais que nos acompanham aonde quer que estejamos, independentemente das demandas exigidas pela situação.

A seguir, identificaremos algumas posturas freqüentemente apresentadas nos serviços ambulatoriais e hospitalares em oncologia, partindo das formulações de Angerami (2003). Segundo o autor, há profissionais que desempenham posturas de calosidade profissional, de distanciamento crítico, de empatia genuína e de profissionalismo afetivo. Mas quais as nuances de cada uma destas posturas?

· Calosidade profissional

Trata-se de uma postura de total indiferença por parte do profissional que não se envolve com a enfermidade ou com a dor enfrentada pelo paciente. Este tipo de postura pode ser adotado pelo psico-oncologista como uma forma de defesa contra o sofrimento trazido pela doença do outro, já que esta realidade é uma constante em seu trabalho e, principalmente, porque aprendeu a viver no futuro, buscando resultados positivos em vez de se entregar ao momento presente e confiar na sabedoria e lógica dos processos, embora estes possam, por vezes, escapar à compreensão humana. É comum um paciente se sentir totalmente desamparado num momento angustiante e fragilizante da doença. Isso também acontece porque o profissional que lhe assiste normalmente está muito mais preocupado com a eficácia terapêutica do procedimento que está aplicando do que com os sentimentos daquele doente e com a aprendizagem que poderia extrair dessa circunstância. A postura de escuta por parte do psico-oncologista é, em alguns momentos, muito mais produtiva e relevante do que o desenvolvimento mecânico dos procedimentos a serem empregados.

A calosidade profissional pode também ser incentivada pela cultura das organizações hospitalares. Há aquelas que negam o valor de seus profissionais, que os aviltam e que os colocam em situações desumanas de trabalho. Esses, sem refletir, identificam-se com seus agressores e, sem querer, perpassam os mesmos maus tratos. Perdidos de si mesmos, adotam a distância, a frieza no contato com seus pacientes oncológicos, desenvolvendo os calos profissionais.

· Distanciamento Crítico

Esta postura é característica do psico-oncologista que evita um envolvimento emocional com os problemas enfrentados pelos pacientes a fim de resguardar sua objetividade no intuito de melhor compreender e ajudar nas necessidades daquele ser. O distanciamento crítico faz parte, entre outros métodos, do treinamento de muitos psicoterapeutas. Neste caso, o distanciamento crítico não é apenas exercido em relação ao paciente, mas, muito importante, em relação a si mesmo para que assim o psicoterapeuta possa reconhecer suas projeções sobre o outro e a mobilização de sentimentos como a pena, a onipotência etc. Estes, quando não reconhecidos e devidamente trabalhados, podem atrapalhar sobremaneira o processo terapêutico.

O distanciamento crítico diferencia-se da calosidade profissional na medida em que o profissional que apresenta esta última postura manifesta uma total indiferença frente à dor daquele paciente, enquanto que no distanciamento o terapeuta acredita ter a melhor postura no sentido de promover a melhora do ser cuidado. É uma atitude consciente e considerada indispensável no processo terapêutico. Quanto à calosidade, esta acontece de modo que o psico-oncologista não se dá conta de sua presença e de suas implicações no contexto evolutivo do processo de cura, seja ele físico ou espiritual. É o distanciamento crítico a postura profissional que possibilitará ao psico-oncologista lidar melhor com os sentimentos que emergem naturalmente com o surgimento e evolução da doença. A habilidade do profissional em lidar com as diferentes reações emocionais trazidas por um paciente é resultado desse distanciamento crítico, somando-se ainda todo o instrumental fornecido pela teoria. Assim, será possível realizar um trabalho no sentido de atingir os pontos considerados prioritários no processo terapêutico.

É muito importante estar atento para que o distanciamento crítico utilizado pelo psico-oncologista não seja instrumentalizado, ou seja, que não se transforme numa mera técnica racional, coisificada, utilitária, despida da dimensão sentimento e intuição.

• Empatia

É uma postura profissional de extrema importância no contexto da saúde. Carl Rogers (2002) discorreu muito sobre essa condição básica no cuidado humano. A partir de seus trabalhos podemos definir a empatia como sendo a capacidade do ser humano de se colocar integralmente no lugar do outro, de compreender e sentir o que o outro pensa e sente, comunicando-lhe e assumindo como sua tal compreensão. O fato do psico-oncologista assumir a responsabilidade por sua compreensão é fundamental no sentido de resguardar a liberdade do outro, evitando, assim, impingir-lhe uma leitura de sentimentos que pode ser equivocada.

A empatia é de grande importância para a prática em psico-oncologia. Esse conceito, tomado de empréstimo da psicologia humanista, tendo Rogers como seu principal representante, tem sido amplamente difundido e utilizado nas mais diferentes abordagens teóricas, desde as cognitivo-comportamentais até a psicanálise. Para Rogers, os indivíduos ao longo de sua existência requerem amor e aceitação por parte daqueles com os quais convivem. Tal aceitação deve ser positiva e incondicional, constituindo-se num princípio a ser compartilhado com o próximo (mãe/pai, família, amigos) e estendendo-se a todos os seres humanos. É essa aceitação que possibilitará aos indivíduos o sentimento de auto-confiança e segurança para enfrentarem com coragem os desafios propostos diariamente em suas vidas. Como poucos são aqueles que experienciaram a aceitação incondicional, essa expressão é dificilmente apreendida em seu real sentido. Há uma confusão generalizada entre aceitação e aprovação. Acostumamo-nos a buscar a aprovação como forma de obter o amor dos outros e, nessa busca, muitas vezes violentamos o nosso próprio ser, fazendo o que não era o nosso desejo, dizendo o que não sentíamos, expressando idéias que não eram as nossas. Assim se constitui o falso eu, cujas doenças ou infortúnios são muitas vezes possibilidades de encontro com o verdadeiro ser. Para tanto, importa aceitar o outro na sua diferença, sem julgamentos e de forma aberta e confiante na capacidade de atualização desse organismo para se tornar aquilo que tem possibilidade de ser. A aceitação incondicional do ser, que não se confunde com a aprovação de comportamentos, é tarefa muito difícil e que demanda paciência em sua aprendizagem, pois fomos educados para resultados e não para a vivência de processos, com suas idas e vindas, avanços e recaídas, saúde e doença, alegrias e infortúnios.

No que tange ao processo terapêutico, essa aceitação torna-se essencial para o estabelecimento de um vínculo efetivo entre terapeuta e cliente, capaz de possibilitar o crescimento ou a cura. Rogers propôs o termo cliente para referir-se a um indivíduo agente e não apenas paciente. O cliente precisa sentir-se alvo da empatia e merecedor de respeito, atenção e aceitação por parte do psico-oncologista, pois só assim será capaz de se despir de máscaras e de se entregar ao processo de integração e crescimento, entrando em contato com as mais diversas experiências, mesmo aquelas avaliadas como negativas ou feias e programadas para entrar no esquecimento. Não basta ao psico-oncologista aceitar incondicionalmente as experiências do cliente. É preciso sintonizar-se com elas e demonstrar a ele que há compreensão de seus dramas, como se fossem seus. Envolver-se sensivelmente é necessário - ou melhor, ser empático - mas igualmente importante é não se deixar tomar pelos sentimentos exacerbados do cliente.

Preferimos a palavra empatia, guardando o sentido positivo que lhe foi dada por Rogers. A palavra envolvimento, embora usada positivamente no contexto da filosofia existencial, tem, quotidianamente, uma conotação negativa e pode indicar uma indiferenciação nada saudável entre psico-oncologista e cliente. O papel daquele é auxiliar seu cliente a solucionar problemas de forma clara e positiva, porém sem se desligar de sua realidade e da realidade existencial do outro. Trata-se de um movimento dialético entre eu e tu; tu e eu, mantendo a melhor sintonia possível com cada agente do processo. Mergulho no ser do outro e o carrego inteiro para mim / mas aí encontro um eu que pensa e sente diferentemente, me modifico - sou eu e ele / volto então ao outro, refletindo seus sentimentos como se eu fosse o seu espelho; ele se sente feliz (mesmo em situação de sofrimento) por se sentir compreendido, talvez pela primeira vez em sua vida / então lhe respondo a partir do meu conhecimento ou acrescento um questionamento / ele me recebe, empaticamente, pois já experienciou o valor dessa atitude, mas minha fala causa-lhe um impacto (espécie de novidade, mudança ou desequilíbrio) e ele vai buscar uma nova homeostase, primeiramente mobilizando defesas, pondo em ação o falso eu de sempre e, aos poucos, no processo dialético, vai respondendo com seu verdadeiro eu, assumindo a responsabilidade por sua vida, expressando seus sentimentos, ouvindo a voz de seu organismo... e, assim, se produz a mudança, o crescimento rumo à individuação, no encontro entre os seres.

• Profissionalismo Afetivo

O profissional apresenta uma postura de distanciamento, mas ainda assim conserva o respeito pela condição fragilizada do paciente. Para Angerami (2003, p.69-70) “o profissionalismo afetivo é um procedimento adotado principalmente quando se quer fazer e desenvolver um trabalho sistematizado sem um envolvimento emocional que escape do controle do profissional da saúde, mas que mesmo assim não faça com que o paciente não se sinta desrespeitado na delicadeza de seu sofrimento”. Este tipo de postura profissional mescla uma atitude acolhedora ao paciente ao mesmo tempo em que terá sob controle o processo de intervenção a ser realizado. Parece-nos que um bom exemplo do profissionalismo afetivo é a atitude dos médicos que, num turno inteiro de plantão num hospital, não podem se envolver com a dor de seus pacientes, mas são capazes de manter uma atitude respeitosa, de escuta e acolhimento às suas necessidades. Outro exemplo de profissionalismo afetivo é a atitude da maioria dos pesquisadores em saúde ou em ciências humanas: eles mantêm a conduta correta, respeitosa e atenta aos seus sujeitos; entretanto a preocupação com o controle e a sistematização do trabalho geralmente os tolhe na adoção de atitudes de empatia.

Vimos que as posturas dos psico-oncologistas que estão em contato com a dor e o sofrimento humanos podem ser diferenciadas e irem da completa calosidade por parte do profissional até a empatia mais genuína. No entanto, para aqueles agentes de saúde que ainda não experimentaram desempenhar uma postura mais humanizada, mais coerente com a situação fragilizada do doente, diríamos que vale a pena experimentar o risco da mudança, ainda que esta implique em ansiedade e esforço, por envolver atitudes e crenças que podem estar muito arraigadas. Para Peçanha (1997, p.50) “dada à condição humana que nos torna aptos à aprendizagem transformadora e ao auto-desenvolvimento a partir dos próprios conflitos, torna-se importante investir numa educação que nos ajude a ser mestres do próprio cérebro (aprender a pensar) e a assumir o comando do próprio ‘Eu’”.

Esta mudança é de extrema importância para a melhoria das condições da saúde dos seres e das organizações hospitalares. É fundamental, para a reinvenção de um novo modelo de saúde, que os psico-oncologistas não se enrijeçam e não se apeguem a situações confortáveis, pois assim só estarão indo ao encontro da dor e do sofrimento que tanto queriam evitar (Peçanha, 1997). Os profissionais que atuam nesta área precisam desenvolver uma maior capacidade crítica e coragem para avançar nos limites do que é pré-estabelecido, devem permitir-se experimentar novas situações e criarem alternativas para enfrentar os desafios que surgem durante esta caminhada.



NOTAS

1. Baseado em capítulo de livro em co-autoria:

PEÇANHA, D.L.; SANTOS, L.S. Posturas profissionais no contexto da saúde. In: D.L. Peçanha & L.S. Santos. O cuidar na saúde. Campinas, SP: Livro Pleno, 2006.



2. Psicóloga, Doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo e Sorbonne, Paris V. Pós-doutorado em Psicologia na Universidade de Québec à Trois-Rivières, Canadá. Profª. Adjunta do Departamento de Psicologia da UFSCar. Para informações: Profa. Dra. Dóris Lieth Nunes Peçanha. Grupo de pesquisa em Psicopatologia, Desenvolvimento e Família; Laboratório VIDA - Rodovia Washington Luiz Km 235, C.P.: 676 Departamento de Psicologia, UFSCar, São Carlos, São Paulo. CEP 13565-905 Tels: 0XX (16) 3351.8361 e 0XX (16) 3361.1134. Fax: 0XX (16) 3351.5513. E-mail: doris@power.ufscar.br





Referências Bibliográficas

Angerami, V. A. (2003). Breve reflexão sobre a postura do profissional da saúde diante da doença e do doente. In: Temas Existenciais em Psicoterapia (pp. 49-72). São Paulo: Pioneira Thomson Learning.

Peçanha, D L. (1997). Fundamentos psicológicos e sistêmicos para a práxis gerencial. Cadernos de Pesquisas em Administração, 2 (5), 47-52.

Rogers, C. R. (2002). Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes.





Resenha

Como integrar a comunicação enquanto instrumento ético de trabalho? Para responder a este e outros questionamentos, Dr. Perdicaris baseou-se em suas próprias reflexões como cirurgião cancerologista e doutor em comunicação e semiótica.

Nas fronteiras da Psiconeuroimunologia, mostra que a expressão do estado de saúde ou de doença depende de um campo interativo entre acontecimentos biológicos, sócio-culturais, educacionais e outros, com seus significados e interpretações. Confiança, fé e esperança contidas nas atitudes e palavras do médico, podem criar um espaço positivo para o pleno resgate dos recursos biopsico e espirituais utilizados na manutenção da saúde.

"Além do Bisturi: Novas fronteiras na comunicação médica" une sensibilidade, técnica e segurança, de forma sistematizada. Revela-se um guia útil para todos, profissionais de saúde e "pacientes-agentes", que buscam estabelecer através de suas atitudes e presenças, uma aliança terapêutica. Afinal, segundo o Dr. Perdicaris, "as palavras, os gestos, o olhar e o silêncio podem ser mais analgésicos que o mais potente entorpecente ou mais cortante que o mais afiado bisturi".

Rita de Cassia Macieira

Informações:
Editora Leopoldianum/UniSantos
Tel.: (13) 3228-1236
http://www.unisantos.br/leopoldianum
rp.edul@unisantos.br
perdicaris@uol.com.br

Presidente: Elisa Maria Perina (Campinas, SP)

Vice-presidente: Márcia de Carvalho Stephan (Rio de Janeiro-RJ)

Secretária Geral: Nely Nucci (Campinas, SP)

1ª Secretária: Luciana Pagano Castilho (Ribeirão Preto, SP)

2ª Secretária: Doris Peçanha (São Carlos, SP)

1º Tesoureiro: Maria Jacinta Gomes (São Paulo, SP)

2º Tesoureiro: Verenice Prudêncio (São Paulo, SP)


Atenção aos Futuros Profissionais de Saúde

Rita de Cássia Macieira

Em conseqüência de uma maior divulgação do campo de trabalho da Psico-Oncologia e da significância destes conhecimentos no atendimento aos pacientes com câncer, os profissionais com formação nesta especialidade têm atuado mais em equipes multidiciplinares. Através destas experiências, têm sentido crescer a necessidade de instruir e municiar aqueles que se encontram em formação, visando aspectos preventivos.

Primeiramente, o termo “cuidador” foi identificado como se referindo àquele familiar que assume os cuidados com o paciente. Posteriormente e cada vez mais, este conceito tem se ampliado para abranger os profissionais de saúde envolvidos no tratamento.

Estudo descritivo e retrospectivo sobre adoecimento, realizado por Murofesse (2004)1 com 4307 profissionais em 23 unidades de saúde da Fundação Hospitalar Estadual de Minas Gerais, Divisão de Saúde do Trabalhador, evidenciou que os problemas de saúde dos trabalhadores se distribuíram nos seguintes grupos: fatores que influenciam o estado de saúde (20,15%), doenças do sistema osteomuscular (11,83%), transtornos mentais e comportamentais (11,40%), doenças respiratórias (10,69%), doenças do aparelho circulatório (8,62%) e lesões, envenenamento e causas externas (8,25%). Quando comparados os diagnósticos encontrados às doenças relacionadas ao trabalho da lista do Ministério da Saúde foi constatado que a força de trabalho da enfermagem estudada está sendo consumida por danos que afetam o corpo e a mente, em decorrência de enfermidades causadas por violência oculta no trabalho, conhecidas também como doenças da modernidade tais como: LER/DORT, depressão, angústia, estresse, alcoolismo, hipertensão arterial e infarto agudo do miocárdio. Constatou-se que as instituições acompanham as mudanças processadas no mundo do trabalho adquirindo novas tecnologias e equipamentos, promovendo mudanças organizacionais com novas modalidades de assistência e modelos gerenciais. No entanto, destacou que 55,7% dos trabalhadores de enfermagem possuíam vínculo de trabalho temporário, ou seja, relações precárias de trabalho, sem direitos e garantias trabalhistas e assistenciais. Isto constitui um fator psicossocial de adoecimento.

Centofanti e cols (2004)2 constatam que a síndrome de estafa profissional (“burn out”) é freqüente entre os cancerologistas brasileiros e que a prevenção desta síndrome é fundamental para a manutenção da qualidade do atendimento dos pacientes com câncer.

A síndrome do “burn out” é caracterizada pela exaustão física e intelectual, pela despersonalização e pela sensação de fracasso pessoal e profissional. Os sintomas são: fadiga física, intelectual e sexual prolongadas, sensação de cansaço e variadas perturbações psicossomáticas. Desmotivação, auto-avaliação negativa, sentimentos de incompetência, insatisfação profissional e dificuldades de relacionamentos pessoais e sociais são também bastante comuns.

Carvalho (2004)3 fala da incidência de patologias psíquicas em estudantes de medicina e médicos e sobre as principais síndromes que podem ocorrer em profissionais de saúde, submetidos a condições desfavoráveis de trabalho. São elas: comportamentos aditivos (abuso de álcool e drogas); sofrimento nas relações interpessoais (divórcios e ruptura de relações afetivas); comportamentos psicopatológicos (ansiedade, depressão e suicídio) e disfunção profissional (insatisfação, erros, afastamento, perda da compaixão, etc). Citando Martins (1989), traz uma estatística aterradora: entre os estudantes de medicina, esta sintomatologia se agrava com a progressão do curso, sendo de 11% no terceiro ano e chegando a 74% no quinto ano.

Para Dame Cicely Saunders “O sofrimento somente é intolerável quando ninguém cuida”. A pergunta que se faz necessária agora é: como estão sendo cuidados nossos futuros profissionais de saúde, aqueles que terão sob seus cuidados, em um futuro bastante próximo, a vida de tantos? Estarão eles sendo devidamente orientados em suas dificuldades? Seus sofrimentos têm sido ouvidos e suas necessidades atendidas? E qual o papel daqueles que, sendo seus mestres, são também e ao mesmo tempo, seus modelos de identificação?

Talvez hoje, devamos começar a pensar na preparação dos futuros cuidadores profissionais, com medidas profiláticas que incluam uma revisão e modificação da formação acadêmica dos médicos, passando de uma visão totalmente curativa para uma postura mais humana, que inclua também os cuidados consigo mesmos e com sua saúde e, ainda, a inclusão da dimensão psicológica na formação do estudante de Medicina.

Para Nogueira-Martins (2002)4, o trabalho de sensibilização do jovem aluno em relação aos seus aspectos psicológicos - motivações para a profissão, idealização do papel de médico, etc. - e as suas reações vivenciais durante o curso de Medicina, é uma medida de atenção primária, que pode ser concretizada mediante modificações curriculares que incluam, nas escolas médicas, o ensino de Psicologia Médica, centrado nas vicissitudes do curso médico e do exercício da Medicina. O ensino médico que não reflete sobre o ser humano que há no médico, participa de modo altamente prejudicial das deformações adaptativas do futuro profissional. Nas escolas médicas, o discurso enfatiza os deveres e responsabilidades e mantém um eloqüente silêncio sobre os direitos, prerrogativas e limitações do médico.

A criação de um espaço onde os estudantes possam trocar experiências, refletir sobre suas próprias emoções e sentimentos, é uma necessidade e um instrumento de aprendizagem. Leva o estudante a se interessar pelas relações humanas em geral e pela relação médico-paciente, em particular. Descobrir o colorido emocional, o sofrimento psíquico, a história da vida de seu paciente, altera sua visão do binômio saúde-doença.

Do ponto de vista dos alunos, as queixas mais freqüentes são: sobrecarga de trabalhos, falta de tempo, cobranças, cansaço, insegurança e falta de preparo para lidar com situações difíceis e pouco lazer, o que acarreta no aparecimento do processo de estresse. Outras condições podem ser citadas: o contato íntimo e constante com a dor e o sofrimento, lidar com questões emocionais, atender pacientes difíceis, muito queixosos, ou em processo de morte.

Em nossa experiência, notamos que os alunos chegam à faculdade de medicina ainda adolescentes. São jovens esforçados, que lutaram muito para conquistar uma vaga no curso. Idealistas, em sua maioria. No terceiro ano, começam a entrar em contato com aquilo que não conseguirão resolver, enquanto amigos estão se formando em outros cursos e começando a ganhar autonomia. No quinto ano, vêem amigos de outras profissões se auto-sustentarem, constituírem família, enquanto eles permanecem dependentes de seus pais. O último ano representa uma situação dicotômica: a alegria de aproximar-se do momento da formatura e o medo de enfrentar o exame de residência, o mundo profissional e o mercado de trabalho.

O trabalho do professor deveria ser o de facilitador da articulação do conhecimento com experiência vivida. Criar um clima emocional de integração e aprendizagem grupal, ao mesmo tempo em que incentiva a subjetividade no atendimento.

O trabalho de prevenção do adoecimento médico inclui a atenção aos futuros profissionais. C.G. Jung dizia: “eu vou apresentar aquele que fala dentro de você”. O ato terapêutico na relação vincular professor-aluno consiste em re-lembrar o que antes se sabia, compartilhar (compartir o ar = respirar junto, no mesmo sopro) o desejo e o sonho.

“Se nós, trabalhadores da saúde física e da alma humana, tivermos olhos para enxergar, ouvidos para escutar, palavras para dizer, sentimentos para sentir e uma mente não saturada por preconceitos, de modo a propiciar uma tolerância a conhecimentos provindos de outras fontes para um aprendizado daquilo que não nos é familiar, que difere de nossos valores habituais e ofende nossa ignorância, ficaremos estupefatos diante da riqueza que está ao nosso alcance.”

David Zimerman, 2004





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Referências:

1.Murofuse, NT. O adoecimento dos trabalhadores de enfermagem da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais: reflexo das mudanças do mundo do trabalho, 2004, www.teses.usp.br/teses/disponíveis/ 22/22132/tde-18082004-103448/

2.Centofanti, G ; Del Giglio, A ; Garcia, A P ; Gonçalves, M S ; Monteiro, T A ; Prudente, F V B ; Souza, C M ; Vince, F A H . A Síndrome da Estafa Profissional em Médicos Cancerologistas Brasileiros. In: 29º COMUABC, 2004, Santo André-SP. Arquivos Médicos do ABC, 2004. v. 29. pags. 29-29.



3.Carvalho,VA . Cuidados Com o Cuidador, in Pessini,L. Bertachini, L.(orgs.) Humanização e Cuidados Paliativos, S.Paulo, Ed. Loyola, 2004, pags.305-319



4. Nogueira-Martins, L.A. - Saúde Mental dos Profissionais de Saúde. In: BOTEGA, N.J. (org.) Prática Psiquiátrica no Hospital Geral: Interconsulta e Emergência. Porto Alegre, Artmed Editora, 2002, pags.130-144

A formação em Psico-Oncologia Pediátrica

Elizabeth Ranier Martins do Valle

A Psico-Oncologia Pediátrica representa a interface entre os conhecimentos advindos da Psicologia e da Oncologia Pediátrica. A formação de profissionais nessa área tem por objetivo o preparo para uma atuação especializada, propiciando conhecimentos teóricos e práticos/técnicos para o exercício da Psicologia em Oncologia Pediátrica em Instituições de Saúde, assim como desenvolver habilidades para a pesquisa e construção teórica.

O conteúdo teórico deve abranger : conhecimentos sobre aspectos básicos gerais da doença, tipos de câncer na infância e seus possíveis sinais e sintomas, epidemiologia da doença, incidência na população infantil, tipos de tratamento(quimioterapia, radioterapia, cirurgia(os mais comuns), dentre outros; as fases do tratamento e o desenvolvimento infantil: pré-diagnóstico, diagnóstico e seu impacto na família, tratamento e suas intercorrências( efeitos da quimioterapia e da radioterapia, as cirurgias, por vezes mutiladoras – as amputações) e transformações no estilo de vida dos envolvidos, a experiência dos irmãos, a hospitalização infantil e possibilidades de amenizá-la, término do tratamento e sua ambiguidade: por um lado, o sentimento de vitória e, por outro, o medo da recaída por ficar sem a "proteção" da medicação; a recidiva (volta da doença), quando a criança tem que fazer novos tratamentos, o que traz o temor de não superação do câncer; a morte, quando falham todas as tentativas de cura, podendo a criança permanecer por um determinado tempo na fase terminal da doença, sob cuidados paliativos, muitas vezes em UTI, ou, então, a cura e reaprender a viver com ela, algumas vezes, com possíveis seqüelas. E ainda: a questão da escolaridade da criança doente - sua reinserção escolar; a equipe de saúde e o atendimento multi/interdisciplinar; o estudo da dor(física, psíquica, espiritual) e possibilidades de intervenção não medicamentosa(técnicas de distração, por exemplo); a recreação para a criança hospitalizada (brinquedos, desenhos, contar histórias); a criança em fase terminal, os cuidados paliativos, a morte, o morrer, o luto; o profissional diante da morte, da dor, do sofrimento- o burn-out; o sentido do cuidar e os aspectos éticos e legais. Outros aspectos, menos comuns, podem ser abordados como o abandono do tratamento pela família ou a busca por tratamentos alternativos.

O preparo técnico diz respeito à atuação direta do aluno em formação com as crianças em tratamento, com seus familiares e com a equipe de saúde, sob supervisão clínica, na instituição. As intervenções e os atendimentos devem seguir as orientações teóricas do(s) profissional(is) "psi" da instituição ou do curso de formação. Psicoterapias breves de apoio e de esclarecimento têm sido recomendadas por oferecer alívio de ansiedade e atenuação dos sintomas, devendo haver um vínculo encorajador e protetor como estratégia básica do terapeuta. Além do atendimento individual do pai/mãe/criança, outras modalidades de intervenções facilitam ao psicólogo em formação, a compreensão da doença/tratamento como: participação de reuniões com multiprofissionais que atendem a criança doente e seus familiares, de grupos de apoio aos familiares; de grupos lúdicos com as crianças; de grupos de sala de espera; de atendimentos aos irmãos e à criança doente através de livretos interativos para facilitar a compreensão do que é o câncer e suas implicações na vida cotidiana; da assistência domiciliar.

A atuação direta – os atendimentos psicoterápicos - deve acontecer sob supervisão de psicólogo da própria instituição, como já mencionado, ou com psicólogo certificado pela Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia/ SBPO. Portanto, é desejável que o supervisor, interno ou externo, tenha formação em Psico-Oncologia. Em nossa realidade brasileira já existem cursos específicos para essa formação.

Além do aprendizado teórico-prático, o aluno deverá aprender também a manusear, preencher, arquivar papéis, prontuários e documentos que fazem parte do sistema clínico-hospitalar.

A participação em eventos científicos voltados para a área é importante no sentido de o psicólogo conhecer e atualizar o que vem sendo pesquisado/ realizado nas diversas instituições especializadas.

Nessas breves linhas foram delineados alguns aspectos imprescindíveis para a formação em Psico-Oncologia. Outros poderiam emergir, conforme a complexidade dos tratamentos avança. Mas, penso que, não posso deixar de mencionar que, acima de tudo, está a “humanidade” do ser humano que se “esconde” por trás de cada psicólogo. A atenção, a dedicação, o respeito, a consideração, a paciência, o AMOR aos que sofrem são sentimentos que, realmente, dão significado ao ato de CUIDAR de seres humanos em sofrimento.





O tratamento do câncer infantil - o livro das crianças

Luciana Pagano Castilho Françoso

A história do livro das crianças


É tendência crescente observada em centros e serviços de Oncologia Pediátrica no Brasil e no mundo a elaboração de folhetos, livretos e material áudio-visual com informações sobre o câncer infantil e seus tratamentos, voltados para as próprias crianças e seus familiares. Esta tendência apóia-se no consenso a respeito da necessidade da criança doente e das pessoas que a cercam estarem informados apropriadamente sobre a realidade que estão vivendo. Informados, podem situar-se e enfrentar as situações de modo mais saudável e ajustado, participando ativamente das decisões e usufruindo de suas possibilidades de vida apesar das limitações trazidas pela doença e pelos tratamentos (SIOP, 1999).

Este material informativo é, portanto, importante instrumento na assistência em Oncologia Pediátrica, já que dá suporte e contribui para inúmeras intervenções psicossociais que visam à qualidade de vida da criança com câncer.

Existem diversas maneiras de elaborar estas informações. O livro das crianças foi criado e elaborado pelas próprias crianças com câncer. Trata-se, pois, de uma experiência inovadora. As próprias crianças, a partir de suas vivências, tiveram a oportunidade de selecionar e elaborar as informações que julgam ser importantes de serem compartilhadas com outras crianças com câncer e o adultos que as cercam, para que vivam melhor, cada um a seu modo, a experiência de enfrentar o adoecimento.

A idéia de produzir o livro das crianças foi gestada no decorrer da realização de meu projeto de doutorado(FRANÇOSO, 2001). Quando planejei realizá-lo, defini enquanto objetivo a investigação das vivências de crianças com câncer, no sentido de compreender como era para elas conviver com o adoecimento e suas conseqüências. Meu intuito era considerar a própria perspectiva da criança, e para isto precisava realmente estar com ela. Optei por realizar meu trabalho junto ao grupo de apoio psicológico, pois minha experiência na área apontava-me para a possibilidade de um caminho promissor. Sou psicóloga do GACC– Grupo de Apoio à Criança com Câncer, e atuando junto aos pacientes atendidos no Serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- USP, venho coordenando o grupo de apoio às crianças, intervenção psicológica que integra a rotina de nossa assistência, desvelando aspectos importantes das vidas e das maneiras de lidar com as situações vividas pelas crianças(FRANÇOSO&VALLE, 1994, 1999, 2000).

O livro das crianças, é, portanto, um dos produtos de meu estudo. A criação deste livro surgiu como uma maneira possível de fazer emergir idéias, pensamentos e sentimentos em relação à vivência comum a todos: a convivência com o câncer e seu tratamento durante a infância. Favoreceu sua gestação minha atitude de abertura em relação às crianças participantes, abertura delimitada apenas pelo setting grupal proposto. Esta abertura permitiu-me estar com as crianças em seus movimentos diversos durante as sessões, seguindo-os a partir de minha escuta atenta e envolvida. Minha disponibilidade para o que deles surgisse, possibilitou-nos uma interação flexível o suficiente para que se configurasse um espaço propício à criação de algo novo.

Penso que a possibilidade de ouvir as crianças, permitindo que elas conduzissem o movimento grupal de acordo com suas necessidades, unida à percepção da fundamental importância das crianças participarem ativamente dos processos de informações que se dão no decorrer do tratamento configuraram a base da criação do livro. Fui apenas uma espécie de porta-voz da idéia de criarmos o livro das crianças - e foi neste papel que me mantive durante seu processo de criação. Tal atitude está baseada nos fundamentos teóricos e metodológicos que guiaram meu estudo e que tem norteado meu trabalho no campo da Psico-oncologia Pediátrica de modo geral. Trata-se da Psicologia Fenomenológica, de acordo com as propostas de GIORGI(1985), MARTINS E BICUDO(1989), FORGHIERI(1991) e VALLE(1997).

Assim, além de incluído em minha tese enquanto fragmentos das vivências das crianças que participaram de seu processo de criação, o livro das crianças está à disposição para ser usado pelo GACC-Grupo de Apoio à Criança com Câncer no serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP ou por qualquer serviço que desejá-lo. Penso que pode ser um material informativo útil às crianças que iniciam o tratamento, e sugiro que seu uso seja planejado de forma sistematizada.

Durante o processo de criação do livro, o grupo reuniu-se semanalmente durante 1 hora, em local e horário fixos, numa sala do ambulatório do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP. As crianças participantes, em média 5 em cada sessão, tinham diferentes diagnósticos de câncer e encontravam-se em diferentes fases de seus tratamentos. Suas idades variavam de 3 a 16 anos.

Tratava-se de um grupo aberto, já que cada sessão contou com a participação de crianças que estavam em retorno ambulatorial no dia da realização do grupo. Estas eram convidadas a participar da sessão, e quando aceitavam, era explicado à elas e a seus acompanhantes o objetivo da realização do grupo. A seguir, as crianças eram levadas a sala na qual encontrava-se disponível para uso material gráfico (papel, lápis de cor, giz de cera, tinta, etc... ) e lúdico (bonecos, carros, massa para modelar, potes de tamanhos diversos, jogos, etc... ).

Na sala, eu apresentava-me, informando o horário e o objetivo do grupo, que era a elaboração do livro. Após as apresentações eu introduzia a sugestão da seguinte maneira:

Estou querendo que vocês me ajudem a escrever um livro com informações sobre a doença e o tratamento, para que as crianças que estão começando a tratar-se possam enfrentar as situações entendendo melhor o que está acontecendo. Preciso que me digam o que acham importante escrever neste livro.

O grupo aceitava minha sugestão, e as crianças sempre mostraram-se cooperativas diante de minha proposta. As idéias eram lançadas, recusadas, complementadas, debatidas e ilustradas. Meu papel era ser a redatora: tentava captar uma idéia comum e escrevê-la da forma como estava sendo colocada. Após redigir cada idéia trabalhada pelo grupo, lia minha redação e as crianças aceitavam ou não, corrigindo-a e/ou complementando-a quando necessário.

É importante ainda relatar que o estudo do qual o livro emergiu possibilitou-me compreender dimensões importantes da experiência de conviver com um câncer na infância. As crianças participantes de minha pesquisa mostraram-me suas dificuldades decorrentes do enfrentamento de situações tão dolorosas e sofridas como a percepção dos sinais da doença em seus corpos, os exames e procedimentos médicos, as conseqüências dos tratamentos realizados. Sua vida, seu crescimento e seu desenvolvimento passam a ser determinados pelas demandas das situações engendradas pelo adoecimento.As limitações vividas são inúmeras e peculiares – cada criança é única, faz parte de um meio familiar e social específico, adoece de modo especialmente singular e lida com esta situação também de maneira que lhe é própria.

No entanto, por tratar-se de uma doença grave cujo desfecho é sempre incerto, a possibilidade de morte traz uma perspectiva da realidade comum a estas crianças e aos adultos que a cercam: a perspectiva da finitude, que é própria de nossa condição humana. Na situação de adoecimento tal perspectiva torna-se inevitável. Emerge no momento do diagnóstico, está na base de problemas relacionados à comunicação com as crianças, faz-se presente nas situações vividas no decorrer do tratamento, é intensificada nos momentos críticos que envolvem pioras clínicas, expectativas diante de exames ou procedimentos médicos.

Se por um lado tal perspectiva desvela consigo uma vivência de angústia dolorosa, que se manifesta também de modo peculiar a cada criança ou a cada adulto que com ela convive, por outro provoca um redimensionamento da vida e de suas possibilidades. No decorrer de meu trabalho deparei-me com crianças e cuidadores que expressavam uma incrível capacidade de tirar proveito de pequenas coisas do dia a dia – como saborear uma comida gostosa, felicitar-se com uma visita inesperada, ter prazer em uma brincadeira compartilhada. Mostravam a capacidade de aproveitar a vida com suas possibilidades, de modo genuinamente envolvido.

Trata-se de uma questão relacionada à saúde existencial das pessoas envolvidas, conforme a concepção de FORGHIERI (1993). Saúde existencial, qualidade de vida, ajustamento ou adaptação à situação pós crise.... Há diversas maneiras de referir-se à mesma situação, que diz respeito a uma potencialidade que é humana, e que em alguns mostra-se mais desenvolvida e em outros menos: a capacidade de viver a vida como ela é, com limitações e possibilidades, fluindo em movimentos que nos fazem tocar e ser tocados pela presença dos outros que nos cercam.

O trabalho do psicólogo neste contexto de adoecimento que caracteriza a área da Psico-oncologia Pediátrica visa a auxiliar e/ou a facilitar o desenvolvimento desta potencialidade. As diversas intervenções psicológicas que constituem a assistência às crianças com câncer e seus cuidadores tem por objetivo favorecer a compreensão destas pessoas da realidade na qual estão inseridos para que possam encontrar o sentido de suas ações e reações, cuidando-se e cuidando do outro para que a vida seja vivida em sua plenitude.

O livro das crianças emerge, assim, como mais um recurso possível, visando favorecer a adaptação saudável da criança e de seus cuidadores à experiência de enfrentar um câncer na infância.



Luciana Pagano Castilho Françoso
Psicóloga do GACC- Grupo de apoio à criança com câncer (Hospital da Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP), Mestre em Saúde Pública (Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-USP), Doutora em Psicologia (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto-USP).

Nota: O livro das crianças pode ser solicitado através do e-mail lucianapcf@cinap.com.br



Referências bibliográficas


FORGHIERI, Y. Fenomenologia do existir de uma professora universitária. São Paulo, 1991. Tese (Livre-Docência) Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo.



___________. Psicologia Fenomenológica: fundamento, método e pesquisas. São Paulo, Pioneira, 1993.



FRANÇOSO,L. Vivências de crianças com câncer no grupo de apoio psicológico: estudo fenomenológico. Ribeirão Preto, 2001. Tese(Doutorado) Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.



FRANÇOSO, L.&VALLE,E. A criança com câncer- estudo preliminar. Pediatria Moderna, v. 35, n. 5, p. 320-31, maio 1999.



__________. Grupo de apoio psicológico- possibilidade de intervenção psicológica junto à criança com câncer. Pediatria Atual. v. 13, n. 3, p. 32-6, março 2000.



__________. Histórias contadas por crianças com câncer. Acta Oncológica Brasileira, v.14, n 4, p.167-74, agosto-setembro 1994.



GIORGI,A. Phenomenology and Psychological research. Pittsburg Duchesne University Press, 1985.



MARTINS, J.& BICUDO, M. A pesquisa qualitativa em Psicologia. Fundamentos e recursos básicos. São Paulo, Moraes/EDUC, 1989.



SIOP(Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica). Orientações psicossociais. Ribeirão Preto, Comitê de Psico-oncologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Psico-oncologia,/ Gacc- Grupo de Apoio à criança com câncer, 1999.



VALLE, E. Câncer infantil: compreender e agir. Campinas, Psy, 1997.



ORIENTAÇÕES SOBRE ASPECTOS PSICOSSOCIAIS
EM
ONCOLOGIA PEDIÁTRICA

COMITÊ PSICOSSOCIAL
SIOP
SOCIEDADE INTERNACIONAL DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA

Tradução :

Luciana Pagano Castilho Françoso

Elizabeth Ranier Martins do Valle

Brasil

2004

ORIENTAÇÕES SOBRE ASPECTOS PSICOSSOCIAIS
EM
ONCOLOGIA PEDIÁTRICA

COMITÊ PSICOSSOCIAL
SIOP
SOCIEDADE INTERNACIONAL DE ONCOLOGIA PEDIÁTRICA

Tradução :

Luciana Pagano Castilho Françoso

Elizabeth Ranier Martins do Valle

Tradução permitida por John Wiley and Sons, Inc. Todos direitos reservados

Comitê Pediátrico da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia

Brasil

2004

ORIENTAÇÕES SOBRE RECONHECIMENTO,PREVENÇÃO E REMEDIAÇÃO DE BURN-OUT EM PROFISSIONAIS DA SAÚDE QUE ASSISTEM CRIANÇAS COM CÂNCER

John J. Spinetta, PhD, Momcilo Jankovic, MD, Myriam W. Ben Arush, MD,

Tim Eden, MD, Claudia Epelman, PhD, Mark L. Greenberg, MD,

Antonio Gentil Martins, MD, Ray K. Mulhern, PhD,

Daniel Oppenheim, MD, PhD, and Giuseppe Masera, MD

Este é o 8º documento oficial do comitê de trabalho sobre aspectos psicossociais em Oncologia Pediátrica da SIOP, constituido em 1991. O tema discutido e aprovado pelo comitê da SIOP foi Reconhecimento, prevenção e remediação de burn-out em profissionais da saúde que assistem crianças com câncer. É dirigido à comunidade de Oncologia Pediátrica e delineia:1- a definição geral de burn-out como exaustão física e mental, indiferença, sensação de falha enquanto profissional e enquanto pessoa;2- as causas de burn-out relacionadas à natureza do trabalho, ao contexto profissional, às características pessoais,3-a prevenção de burn-out mudando aspectos do contexto profissional, modificando o próprio comportamento e aceitando métodos para remediar burn-out quando este ocorrer.

Palavras chave: burn-out, câncer infantil, equipe profissional.

Publicado em Medical and Pediatric Oncology, 35:122–125(2000).

Profissionais da saúde estão ficando preocupados com um fenômeno conhecido como burn-out: fadiga, exaustão crônica, falta de entusiasmo para o trabalho, que geralmente resultam de problemas relacionados ao trabalho. Pessoas cujo trabalho relaciona-se com problemas de outras pessoas são especialmente vulneráveis ao burnout. Profissionais da saúde estão no topo da lista da vulnerabilidade.

Como o burn-out se manifesta em profissionais que assistem crianças com câncer? Quais são as causas específicas de burn-out em profissionais que assistem crianças com câncer? Como prevenir burn-out neste campo?

Estas orientações dizem respeito a estas questões.

A) DEFINIÇÃO DE BURN-OUT

Burn-out em profissionais da saúde que assistem crianças com câncer freqüentemente manifesta-se em etapas de um processo que desenvolve-se lentamente no início deste processo, revertê-lo e preveni-lo é mais fácil do que em suas últimas etapas.

As etapas são:

1) Completa exaustão mental e física, vazio emocional, pouca ou nenhuma energia para relacionar-se com a criança e com sua família ou com outros membros da equipe profissional, pouca disposição para fazer algo de bom para os outros ou ver resultados positivos nos contextos do tratamento, percepção/visão do trabalho como algo depressivo.

2) Cinismo em relação aos colegas da equipe e aos pacientes, desejo de isolar-se da situação, depressão, impossibilidade de cuidar, com crescente perda de motivação e interesse.



3) Sensação de falha profissional, crença que não é mais tão capaz de prestar assistência e não pode atingir novamente e mesmo nível de competência profissional e assistencial.



4) Sensação de falha pessoal, depressão, aversão a si mesmo, seguida da crença que não é mais uma pessoa boa.



5) Sensação de morte interior, dando continuidade ao trabalho e à vida familiar, mas sem entusiasmo, vazio interno.


B) CAUSAS DE BURN-OUT EM PROFISSIONAIS DA SAÚDE QUE ASSISTEM CRIANÇAS COM CÂNCER.



1) A NATUREZA DO TRABALHO



- lidar com doença grave no cotidiano

- lidar com situação emocional dos pacientes e seus familiares

- ver 30% dos pacientes menor

- viver numa cultura profissional na qual não é permitido reclamar

- sempre ter que estar “bem” para todos pacientes e seus familiares

- ser envolvido por familiar “necessitados” com pouco ou nenhum tempo para os outros.





2) PROBLEMAS EQUIPE/PACIENTE



- Muitas demandas, tempo insuficiente

- Redução na equipe, desenvolvimento de mais trabalho com menos profissionais

- Problemas de comunicação, ausência de soluções pela administração superior

- Baixa moral na equipe, desagregação e competição



3) PERSONALIDADE COMO UM FATOR



- Muito ou pouco envolvimento

- Dificuldade em pedir ajuda

- Dificuldade em pedir e ter tempo fora, especialmente quando mais experiente ou em posição de autoridade

- Dificuldade em pedir consertos quando precisa

- Não compartilhar pensamentos, não usar sistema social como apoio (colegas)

- Medos, culpas e infelicidades por não ter feito o que pensava que devera ter feito



4) ASPECTOS RELACIONADOS



- desejo de mudar de emprego mas sentimento de risco financeiro (pro ex: trocar de emprego, sujeitando-se a receber menos, para escapar de burn-out).

- não descansar o suficiente quando cansado

- estar com sérios problemas no trabalho e na vida privada ao mesmo tempo.

C) PREVENÇÃO DE BURN-OUT EM PROFISSIONAIS DA SAÚDE QUE ASSISTEM CRIANÇAS COM CÂNCER



Alguns sugestões para prevenir burn-out na área da oncologia pediátrica seguem-se. Diferentes pessoas têm diferentes necessidades;

Algumas podem ser satisfeitas através da aplicação de uma ou duas das sugestões, enquanto outros podem precisar da aplicação de mais sugestões para prevenir burn-out severo.



1) NO CONTEXTO DO TRABALHO



- Definir limites pessoas em termos de tempo e energia, evitando envolvimento excessivo.

- Encontrar mecanismos para controlar estressores do trabalho dentro do hospital, usando sistemas de apoio informal e formal.

- Deixar suas necessidades serem conhecidas pelos colegas e supervisores, especialmente quando recursos limitados levam à sobrecarga.

- Comunicar-se com os colegas regularmente enquanto trabalha, beneficiando-se do apoio social enquanto está no trabalho.

- Facilitar encontros com os membros da equipe nos momentos de transições críticas/importantes dos pacientes.

- Manter linhas de comunicação abertas com os colegas, e minimizar diferentes quando ocorrem.

- Se possível, engajar-se em grupos sociais no trabalho.

- Ajudar a organizar afastamentos e saídas da equipe para reciclagens.



2) QUANDO FORA DO CONTEXTO DE TRABALHO



- Manter equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

- Dedicar esforços à família, relaxamento, diversão, como faz com o trabalho.

- Encontrar atividades relaxantes para fazer durante períodos de lazer, atividades que distrairão e propiciarão volta ao contexto de trabalho tão bem mentalmente quanto fisicamente.

- Ter consciência que seus colegas têm vida pessoal e necessitam tempo de lazer e fazer o que puder para apoiar o relaxamento deles.





Agradecimentos

I.Buchvall (Givatayem, Israel), M. Burger-Lazar

(Ljubljana, Slovenia), G. Calaminus (Dusseldorf, Germany),

A. Glaser (Leeds, U.K.), T. Jaglinski (Chicago,

IL), D. Cedeno and B. Moreno (Panama), S. Culic (Split,

Croatia), A.S. Carret and P. Chastagner (Nancy, France),

P. Valverde (Guatemala), M. Nakic (Zagreb, Croatia), B.

Cairney (London, Canada), J. Prinomo (San Antonio,

TX), C. Molekamp (Amsterdam, The Netherlands), E.

Pomaska and M. Matysiak (Warsaw, Poland), B. Waldman

and M.C. Charest (Montreal, Canada), M. Bialik

(Russia), A. Pedrosa (Brazil), Y. Kowalczyk (Lublin, Poland),

L. Vasankari (Helsinki, Finland), H. Kosmidis

(Athens, Greece), D. Barnard (Halifax, Canada), F. Fossati-

Bellani (Milan, Italy), M. Chesler (Ann Arbor, MI),

J. Van Dongen-Melman (Rotterdam, The Netherlands),

G.J. D’Angio (Philadelphia, PA).



Leitura adicional

1-Storlie FJ. Burnout: the elaboration of a concept. Am J Nurs 1979;19:

2108–2111.



2-Maslach C. Burnout: the cost of caring. Englewood Cliffs, NJ: Prentice

Hall Inc.; 1982.



3-Koocher GP. Pediatric cancer psychological problems and the high

costs of helping. J Clin Child Psychol 1980;10:2–5.



4-Emery JE. Pediatric oncology nurses burnout. J Pediatr Oncol Nurs

1990;7:47.



5-Kushnir T, Rabin S, Azulai S. A descriptive study of stress management

in a group of pediatric oncology nurses. Cancer Nurs 1997.

Por Eduardo Geraque

Agência FAPESP - Em Memphis, nos Estados Unidos, funciona o St. Jude Children’s Research Hospital. No Recife, aqui no Brasil, está o Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Imip). Nos dois lugares há crianças com leucemia linfoblástica aguda, doença comum na infância que pode ter cura desde que uma série de procedimentos médicos seja aplicada com rigor.

Apesar de o grupo de pacientes norte-americano não conhecer o brasileiro, a iniciativa de transferir procedimentos médicos do hemisfério Norte para o Sul produziu resultados expressivos, segundo apresentação feita na 42ª Reunião Anual da Sociedade Norte-Americana de Clínica Oncológica, encerrada segunda-feira (5/6) em Atlanta.

A receita para o sucesso, segundo o médico brasileiro Raul Ribeiro, diretor do Programa de Extensão Internacional do hospital norte-americano e um dos idealizadores da parceria, passa necessariamente por três itens.

“Uma equipe médica dedicada exclusivamente ao tratamento das doenças hemato-oncológicas. Uma equipe da comunidade, no caso do Recife o Núcleo de Apoio à Criança com Câncer (NACC), dedicada à educação e suporte das famílias, ao levantamento de fundos e ao estabelecimento de alianças com o poder público. Por fim, uma educação continuada e intensiva aos membros da equipe pediátrica”, disse em entrevista à Agência FAPESP.

Os resultados no Recife, a partir do trabalho coordenado conjuntamente desde 1996 com o médico Francisco Pedrosa, do Imip, mostram um caminho promissor. Em dez anos, a taxa de abandono do tratamento caiu de 16% para 0,6%. A taxa de cura da leucemia entre um grupo de crianças que freqüentou o Imip subiu dos 32% para os 63%, aproximando-se do nível verificado nos Estados Unidos, de 80% em média.

“A população alvo original era Pernambuco, mas hoje o projeto também atinge outros estados vizinhos”, explica Ribeiro, paranaense de Arapongas há 16 anos radicado nos Estados Unidos. A iniciativa também envolveu o treinamento de enfermeiras especializadas para tratar de crianças com câncer e a assistência psicológica e social às famílias dos pacientes.

O projeto verificou que mesmo procedimentos a princípio mais básicos, como oferecer transporte entre o hospital e a casa para os pacientes, ou alimentação aos familiares nos momentos em que as crianças eram atendidas, foram importantes para o aumento na eficiência do tratamento e, por conseqüência, da taxa de cura. Essa parte logística foi feita pelo NACC, organização social sem fins lucrativos.



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