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Ano V Edição 2 Maio Setembro 2008



Palavras da Presidente - Gestão 2006-2008
Elisa Maria Perina

Quem sabe o que está buscando
e aonde quer chegar,
encontra os caminhos certos
e o jeito de caminhar.”
(Thiago de Mello)

O cuidado verdadeiramente orientado para a integração em psico-oncologia, abrangendo a complexidade do ser nas diferentes fases da vida, constituiu-se no principal objetivo da nossa gestão, ao longo desses dois anos. Para alcançá-lo, constituímos pequeno grupo de profissionais, alguns deles pouco conhecidos, em que o desejo de oferecer o melhor de si, de expandir horizontes, de crescer – em suma - tornou possível alçar a SBPO ao patamar em que agora se encontra. Sem a cooperação desse grupo, dificilmente teríamos construído sedes, núcleos e grupos de trabalho em diferentes estados e regiões do País. Elaborado cuidadosamente por Nely Nucci, e já apresentado na Assembléia Geral, o relatório das atividades da SBPO mostra – de maneira clara e fidedigna, os marcos principais da gestão 2006-2008.
Permitam-me realçar o trabalho da comissão organizadora do X Congresso da Sociedade Brasileira de Psico-oncologia e do III Encontro Internacional de Psico-oncologia e Cuidados Paliativos, especialmente de Conceição de Souza e Anice Hollanda , que nos deixou felizes e orgulhosos.
Para finalizar, as nossas palavras de incentivo à nova diretoria de quem esperamos que não deixe fenecer idéias e trabalhos não concluídos, sobre que toda nossa equipe dedicou muito do seu tempo e do seu suor, e que são de capital importância para a consecução dos objetivos da Sociedade.
Um Natal de Amor, Paz e Esperança.
Carinhosamente,
Elisa Maria Perina

Palavras da Presidente da SBPO
Rita de Cássia Macieira
A SBPO nasceu a partir do sonho! Sonho de alguns companheiros idealistas, que imaginavam a divulgação de conhecimentos sobre psico-oncologia tanto entre profissionais da área de saúde que lidam com pacientes com câncer e seus familiares, quanto entre todos os outros profissionais que tivessem interesse na área.
Ao assumirmos esta gestão da Diretoria Nacional da SBPO, temos muito a agradecer. Somos gratas primeiramente àqueles que nos antecederam. Com amor, dedicação e muito trabalho, cada uma das diretorias anteriores foi plantando as estruturas que construíram as bases sólidas, onde hoje nos apoiamos.
Em segundo lugar, agradecemos àqueles que confiaram na nossa capacidade de continuar o trabalho das gestões anteriores, solidificando as conquistas alcançadas e promovendo o crescimento da psico-oncologia em nosso país.
Temos muitos amigos generosos entre os membros que compõem a SBPO. Dentre estes, escolhemos alguns para formarem esta diretoria. Um dos critérios foi escolher pessoas que congregassem os mesmos ideais e tivessem muito carinho e respeito uns pelos outros. Sem isto, seria impossível levar adiante a SBPO, atender às suas finalidades estatutárias e ampliar seu campo de ação. .
Entre as nossas propostas de atuação, destacamos inicialmente 2 que se encontram no Estatuto da SBPO, no TÍTULO II: “DAS FINALIDADES”, Art. 4º. Item II e III, que afirmam ser missão desta sociedade:
II - realizar atividades assistenciais, educativas, culturais e políticas na área da Psico-Oncologia;
III - promover a transdisciplinaridade zelando pela assistência integral à pessoa com câncer, a família, bem como os profissionais envolvidos.
Bem sabemos que muito já foi feito, mas muito ainda está por fazer. E necessitamos da colaboração de todos para atingirmos estes objetivos. Conta uma história sempre lembrada por minha amiga da SBPO, Maria Teresa Veit, que vários foram chamados para quebrar uma enorme pedra. Cada um dava algumas marteladas e passava para o próximo. Depois de milhares de tentativas, finalmente a pedra se quebra. A pergunta é: quem quebrou a pedra? E a resposta é que foram necessários milhares de marteladas para que uma finalmente conseguisse romper a resistência da pedra.
Convidamos a todos nossos companheiros de idéias e ideais a lançarem mão de suas marretas e conosco trabalharem. Pensamos em buscar aqueles companheiros que estavam mais afastados de nós, mas são queridos aos nossos corações. Imaginamos manter um canal de comunicação sempre aberto para recebermos críticas e sugestões, pois ambas nos são valiosas. Sonhamos tornar esta sociedade cada vez mais multiprofissional, incentivando a entrada de profissionais diversos, envolvidos na questão do câncer. Queremos que dentistas, assistentes sociais, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, advogados, enfermeiras, voluntários e outros, entendam de psico-oncologia e do universo do paciente com câncer, com o intuito de minorar o sofrimento e aumentar a qualidade de vida tanto do paciente quanto de seus familiares. Também queremos aprender com todos estes profissionais.
Para facilitar a consecução deste objetivo, esta diretoria buscará investir muito em educação, desde a graduação dos profissionais de saúde. Buscaremos continuar o trabalho iniciado em gestões anteriores de dialogarmos e participarmos de eventos de outras instituições.
Objetivamos também ampliar ainda mais o alcance da nossa Sociedade, através da implantação e/ou o fortalecimento das Diretorias Estaduais, com seus núcleos municipais, e dos Núcleos Estaduais, que respondem diretamente à Diretoria Nacional. Desta forma, esperamos efetivamente descentralizar as ações e trazer à tona as potencialidades locais, além de identificar as demandas específicas que venham a surgir em cada região.
Se nos fosse possível, gostaríamos ainda, de ver a SBPO voltar-se para o lado assistencial. Não temos respostas e soluções prontas. Por isto, precisamos de muito auxilio.
Nós contamos com você! Nós confiamos em você!


Queridos colegas,
Foi com enorme prazer que, apesar das 7 horas de voo e 4 horas de jet-lag que separam Lisboa de Fortaleza, ou seja, Portugal do Brasil, participei no vosso X Congresso da SBPO – Integralidade no Cuidado. O convite fora já feito 2 anos antes em Veneza - pela Elisa e Nely que nestes últimos anos têm sido uma presença constante nos Congressos da Sociedade Internacional (www.ipos-society.org) verdadeiras embaixatrizes da psico-oncologia brasileira - com o objectivo de partilhar trabalhos, desenvolver o intercâmbio e criar sinergias nesta área entre os dois países que falam Português.
Neste sentido a colaboração da SBPO na tradução para Português do currículo essencial em Psico-Oncologia da IPOS disponibilizado em acesso livre online (ver o site www.ipos-society.org/professionals/meetings-ed/ed-online-lectures.htm) já foi um passo muito positivo nesse sentido.
Senti-me muito bem acolhida por todos vós e gostei muito de partilhar convosco o meu trabalho: na área do Treino de aptidões de relação e comunicação para profissionais de saúde em oncologia – através do curso pré-congresso e de uma conferência (com apresentação de DVD especializado do qual sou co-autora); apresentação do programa preventivo de reacções emocionais excessivas em mulheres com cancro da mama (CM) que venho desenvolvendo no Hospital S. José em Lisboa desde 1992 – ou também dito Protocolo de Abordagem Psicológica Precoce e Integrada de pacientes com CM – e a criação da Associação Viva Mulher Viva (www.vivamulherviva.org), um movimento de solidariedade e cidadania trazendo a experiência de mulheres tratadas a CM, como um contributo acrescido de esperança e vivência na 1ª pessoa, ao trabalho técnico com os pacientes - na mesa redonda de Sociologia e Câncer; e por último o Estudo das significações de doença em mulheres com CM, complementado com a apresentação de um DVD concebido por mim para a referida Associação intitulado “Intimidades”, com testemunhos de pacientes – numa conferência no último dia do congresso.
Foram dias de intenso trabalho e de convívio social, mas em que ainda tive tempo de desfrutar da bela e agradável costa do Ceará, de fazer exercício físico (marcha) no calçadão da Beira Mar, compras na famosa feirinha e experimentar o forró da noite social no Arre Égua.
Mas devo dizer-vos também que fiquei muito bem impressionada com o vosso Congresso: pela vossa organização, interessantes trabalhos apresentados e programa científico de elevada qualidade com várias sessões paralelas a decorrer, pela atmosfera familiar e informal e pelas instalações muito agradáveis do hotel com excelente localização na Beira Mar.
Foi também particularmente honroso para mim ter representado a IPOS na cerimónia de abertura, e de ter tido o privilégio de assistir à conferência inaugural proferida pela querida Magui, pioneira sénior da psico-oncologia brasileira que nos trouxe uma interessante reflexão sobre “Os desafios actuais da Psico-Oncologia no Brasil” – incisiva e charmosa!
Para finalizar, quero ainda agradecer de todo o coração não só, estes dias especiais na vossa companhia mas também, a oferta que me fizeram do vosso manual sobre “Temas em Psico-Oncologia” que foi lançado durante o Congresso. Este livro, que me surpreendeu favoravelmente pela sua amplitude e cobertura dos principais temas desta nossa área, é um bom exemplo, e um produto de um esforço colectivo bem sucedido em prol da psico-oncologia falada e cuidada em Português, e revelador de uma sociedade coesa e madura. Pontuação máxima para a SBPO e parabéns! No vosso próximo livro (ou revisão deste) queremos colaborar – fica lançado o desafio.
Destes vossos êxitos dei conhecimento à Direcção da IPOS.
Um abraço carinhoso de Portugal para todos vós, e um especial para a organização e direcção da SBPO.
Contacto:
Luzia Travado - Unidade de Psicologia Clínica - Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE - Hospital de S. José - Rua José António Serrano, 1150-199 Lisboa/Portugal
Tel. +351 21 8841579/1443 - Fax. +351 21 8841079
e-mail:luzia.travado@chlisboa-zc.min-saude.pt
Nota: Foto da cerimónia de abertura do congresso.

Comunicação Oral Premiada em 1° Lugar no X Congresso da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia – Integralidade no cuidado. III Encontro Internacional de Psico-Oncologia e Cuidados paliativos. 27 a 30 de agosto de 2008 – Cidade Fortaleza- CE
O MÉDICO COMO SER HUMANO: BASES PARA PENSAR OS CUIDADOS PALIATIVOS
Lilian Cláudia Ulian JunqueiraI; Manoel Antônio dos SantosII
O cuidado que vem sendo prestado hoje nas instituições de saúde carrega a herança técnico-científica. É focado nas práticas protocolares, que ilusoriamente protegem o profissional da oncologia do desalento ocasionado pela intensa proximidade com a dor e o sofrimento do paciente. Tal postura se mostra densamente comprometedora, pois exclui a participação do paciente que é alvo do cuidado, torna rarefeita a subjetividade presente no encontro e desconhece o acolhimento humano. O modelo de assistência paliativa surgiu em contraposição ao crescente poder do médico e das instituições de saúde no mundo contemporâneo. Entretanto, um projeto de uma “boa morte” só pode ser edificado à custa da dependência de uma rede de profissionais paliativistas qualificados e de políticas de saúde específicas. Uma das questões candentes na atualidade remete à questão do médico enquanto pessoa, isto é, pensado a partir de seus aspectos subjetivos. Nessa direção, o presente estudo busca compreender o universo psicológico do médico que atua no campo da oncologia. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada com médicos oncologistas, com o objetivo de explorar os sentimentos vivenciados no cuidado com o paciente crônico. O estudo está fundamentado na abordagem de pesquisa fenomenológica-existencial. Foram utilizadas entrevistas abertas (não-diretivas) para a compreensão das situações em que os médicos sentiram-se mobilizados emocionalmente em seu cotidiano assistencial. A análise dos depoimentos revelou que os colaboradores da pesquisa, apesar de carregarem a marca positivista da formação médica, se mostraram sensíveis e com o olhar aberto a novas práticas, almejando a integralidade de um cuidado autêntico. Percebem-se em um contexto de transição do exercício da prática médica e relatam que estão ampliando a visão que tinham do cuidado. Valorizam as marcas da subjetividade e percebem a necessidade de integrá-las no encontro com o paciente, de modo a promover um cuidado humanizado. Concluindo, os médicos se mostraram sensíveis aos novos modos de cuidar que estão surgindo, juntamente com novos processos de subjetivação, contemporâneos a uma mudança de paradigma na saúde. O campo da saúde cada vez mais busca incluir a subjetividade e o respeito pela dimensão espiritual enquanto modo de transcendência. A espiritualidade tem emergido como uma força potente que, se for bem manejada pelo profissional, pode se tornar um excelente aliado na luta contra as adversidades e o sofrimento inerentes ao adoecimento.
Palavras-chave: subjetividade, humanização, relação médico-paciente, cuidados paliativos, morte.
I Psicóloga. Mestranda em Psicologia pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Bolsista CAPES.
II Psicólogo. Professor doutor do Departamento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.

Qualidade de vida e cidadania
Nely Nucci
Quero trazer para esta Mesa uma reflexão conceitual sobre QUALIDADE DE VIDA E CIDADANIA, dois conceitos de natureza subjetiva, muito próximos e interdependentes.
Nunca se falou tanto sobre esses dois conceitos como nos tempos atuais, de uma forma, às vezes, até banalizada, quando muitos ignoram o real significado de cada um deles e suas implicações na vida cotidiana.
Quando falamos em QUALIDADE DE VIDA será que temos a dimensão precisa do significado dessa expressão com a qual nos deparamos e à qual recorremos, com freqüência muitas vezes abusiva, no nosso dia-a-dia? Será que temos consciência clara do que ela representa para cada indivíduo? Quando afirmamos que é necessário buscarmos e lutarmos por uma melhor Qualidade de Vida não ouvimos opinião contrária. Parece que todos estão de acordo com essa busca, com essa necessidade. Mas qual será o sentido que cada um está, particularmente, colocando nessa percepção?
A idéia de Qualidade de Vida como um acontecimento novo pode ser contestada pela História. Desde a Antigüidade, já encontramos o sumum bonum, a “boa vida” preconizada por Aristóteles – a vida eudemônica: a que está de acordo com as virtudes, com o bem maior, o bem supremo.
Envolvendo uma inter-relação entre dois princípios – Yin e Yang – a tradicional cultura chinesa entende que a Qualidade de Vida consiste no equilíbrio entre Mutação e Permanência, possibilitando atingir a riqueza e plenitude da vida, assim como os potenciais infinitos para o bem e para o mal.
Comênio (que viveu de 1592 a 1670) demonstrou a vinculação entre saúde, higiene e educação no sentido de estabelecer fundamentos para o prolongamento da vida, manifestando maior preocupação com o destino que atribuímos à nossa vida do que com a sua duração em anos.
Após a Segunda Guerra Mundial sociólogos e economistas ocidentais vincularam Qualidade de Vida à conquista de bens materiais (“welfare”) e crescimento econômico sem limites. Foram os economistas que, na década de 50, influenciaram o desenvolvimento de uma visão mais positiva e abrangente sobre Qualidade de Vida, denunciando a iminente devastação e depredação da humanidade através do exacerbado materialismo vigente. Essa teoria foi incorporada aos programas dos governos dos presidentes norte-americanos Eisenhower e Lyndon Johnson, surgindo questionamentos sobre os objetivos governamentais e propostas de que esses objetivos (dos governos) não podem ser medidos somente pelos balanços dos bancos, mas pela Qualidade de Vida que proporcionam às pessoas, com reflexões sobre a idéia de que uma vida boa requer mais do que a afluência de bens materiais. Na verdade esse termo foi efetivamente usado em um ensaio submetido à Comission on National Goals do presidente norte-americano Eisenhower, em 1960, referindo que uma sociedade age com firmeza quando põe seus valores na qualidade de toda a vida nacional.
Alguns estudiosos no assunto consideram que as tentativas de mensurar Qualidade de Vida começaram basicamente na Economia com o conceito renda per capita, dentro de padrões estritamente econômicos no estabelecimento da crença de que quanto maior o crescimento econômico de uma nação em desenvolvimento, maior bem-estar experimentariam seus habitantes, avaliando bem-estar pelo Produto Nacional Bruto – PNB.
No Brasil percebemos que a concentração de renda em poder dos mais ricos favorece o estabelecimento de um estado de desigualdade e de injustiça tão intenso que muitas pessoas passam a experimentar formas de depressão, desamparo, desesperança, alienação, enquanto outras passam a cultuar exageradamente o materialismo, o imediatismo e a ganância.
Assim, parece temerária a utilização do PNB como medida única de bem-estar, pois 1) não há convergência entre afluência material e felicidade, 2) o PNB per capita é apenas um índice, não comportando pormenores ou especificidades sobre a distribuição de renda entre a população, 3) o valor monetário de mercado de bens e serviços não está necessariamente relacionado com seu conteúdo de bem-estar e 4) o PNB não inclui atividades não comerciais e que fazem parte da dinâmica social.
Indicadores econômicos, sócio-demográficos, isolados ou combinados, podem revelar medidas objetivas da realidade concreta do bem-estar ou da Qualidade de Vida de um indivíduo, um determinado grupo, comunidade ou nação, apresentando um diagnóstico de suas condições de vida. Porém, será que nos basta o conhecimento desses indicadores objetivos situacionais? Ou, além deles, nos interessa entrar em contato com as percepções e pensamentos das pessoas, envolvendo uma série de fatores psicológicos, suas avaliações subjetivas, atribuições e significados, bem como as crenças e julgamentos sobre os variados componentes e conteúdos dos inúmeros domínios da vida?
O que significa, então, ter Qualidade de Vida? Quais dimensões estariam envolvidas e prioritariamente deveriam ser atendidas para se delinear uma vida com qualidade?
Enquanto para alguns, Qualidade de Vida significa boa condição financeira que possibilite uma vida de conforto material e acesso a bens de consumo, para outros poderia significar a realização pessoal ou profissional, satisfação na vida ou ainda, para alguns outros, Qualidade de Vida seria sinônimo de ter um emprego, a possibilidade de trabalhar, garantir seu próprio sustento. Já para tantos outros poderia ser a possibilidade de uma vida saudável, a recuperação da saúde física ou mental, paz interior...
Com tantas implicações existenciais e fenomenológicas deve-se concordar com Katz (1987), quando afirmou que o conceito de Qualidade de Vida pode ser considerado abstrato, sujeito a muitas interpretações, podendo ser entendido como um sentimento de bem-estar pessoal ou simplesmente “viver bem” e Riaño (1991) diferencia Qualidade de Vida de outros termos como bem-estar, satisfação, felicidade, saúde, entre outros, propondo que Qualidade de Vida não se resume a esses sentimentos, podendo incorporá-los numa dimensão mais abrangente que envolve a avaliação que o indivíduo faz sobre vários aspectos que considera importantes na sua vida atual e, de forma global, em sua vida completa.
Seguindo nessa diretriz, a Organização Mundial de Saúde, através do Grupo de Qualidade de Vida, a define como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. (WHOQOL GROUP, 1998).
Nesse enfoque, Maslow, teórico da Psicologia Existencial-Humanista, já havia chegado à conclusão de que todos os indivíduos têm necessidades básicas cujos graus de intensidade variam de uma para outra e que são independentes, em sua essência, das diferentes culturas. Para esse autor, as necessidades básicas são: fisiológicas, de segurança, de amor, de estima, de auto-realização.
Maslow refere que as necessidades básicas estão organizadas em uma hierarquia de valores ou graus de importância, sendo que uma vez satisfeita uma necessidade, surge a seguinte em importância para dominar por sua vez a vida consciente e servir de centro de organização do comportamento humano, chamando atenção para a relatividade existente nas necessidades satisfeitas.
O autor enumera algumas condições essenciais para a satisfação das necessidades básicas, condições ambientais e sociais do grupo: liberdades de expressão, de inquirir e defender-se; a justiça, a honestidade, a igualdade e a ordem, sem as quais dificilmente as necessidades básicas poderão ser satisfeitas, em sua opinião.
Aponta, assim, para a amplitude que alcança a definição de Qualidade de Vida, atingindo a abrangente dimensão do ser humano dentro de sua cultura, seus valores, significando o entendimento e a busca do atendimento às suas necessidades integrais e individuais, incluindo as áreas biológica, psicológica, social e espiritual., aproximando-se claramente ao conceito de Cidadania.
Podemos perceber que a Qualidade de Vida depende da própria capacidade do indivíduo em conhecer seus limites e potencialidades, suas necessidades e recursos, o espaço que ocupa no mundo, sua busca pessoal na auto-realização.
Para se atingir esse auto-conhecimento e, por conseqüência, a busca de sua singularidade, algumas condições básicas devem estar disponíveis. E uma condição essencial é a compreensão e interiorização de seus direitos e deveres, do ser-cidadão.
São vários os enfoques encontrados na definição de CIDADANIA:
No Dicionário Aurélio encontramos:
Cidadania é a “qualidade ou estado de cidadão” e Cidadão é “o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este”
Para Pinsky (2003) “ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis. É, também, participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranqüila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais”
O que atualmente chamamos de CIDADANIA relaciona-se, intimamente, com a idéia de democracia da antiga civilização Greco-Romana, baseada na participação popular nos destinos da coletividade, de soberania do povo e de liberdade do indivíduo.
Na Grécia podemos encontrar educação e cidadania numa relação bastante estreita, com um ideal de cultura estabelecido como princípio formativo do Homem. Através da “Paidéia” constituíam o ideal de que os membros da sociedade se reconhecessem como responsáveis e realizadores dos valores sociais.
Ao longo da história esse conceito foi se modificando, ampliando e se consolidando de forma concreta e ativa com Declarações e conquista de direitos.
No Brasil, a afirmação desses direitos ocorreu tardiamente (somente no século XIX) e marcada por fatos históricos e pela exclusão de uma parcela significativa da sociedade (mulheres, escravos, negros, crianças e adolescentes, portadores de deficiências) de seus direitos fundamentais.
Em nossos dias os direitos civis, políticos e sociais em nosso país estão bem caracterizados na Constituição Federal de 1988, a Constituição Cidadã e nas leis que dela se originaram.
Para Ferreira (2003):
1. Cidadania implica o reconhecimento e a concretização dos direitos civis, políticos e sociais;
2. Cidadania requer a prática de reivindicação, com a ciência de que o interessado pode ser o agente destes direitos;
3. O exercício da cidadania requer o conhecimento dos direitos e também dos deveres;
4. Cidadania implica sentimento comunitário, em processos de inclusão;
5. A prática da cidadania apresenta-se como instrumento indispensável para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Resumindo todas essas considerações, me aproprio da poesia de Gonzaguinha, cantor popular, que captando a essência da alegria, do sofrimento e das expectativas de nosso povo canta, em sua composição “É”, o que queremos e entendemos por QUALIDADE DE VIDA e CIDADANIA.
É!
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor...
A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade...
É!
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
- ARISTÓTELES. A Política. Trad. De Torrieri Guimarães. São Paulo: Hemus – Livraria e Editora, 1966.
- BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Promulgado em 13 de julho de 1990. 9ª edição. São Paulo: Saraiva, 1999.
- COVRE, M.L.M. O que é cidadania. 2ª edição. São Paulo: Brasiliense, 1993.
- FERREIRA, L.A.M. Cidadania: conceito e implicações em relação às crianças, aos adolescentes, aos portadores de deficiência e ao administrador de empresas. Palestra proferida na UFPR – Curso Administração Empresas, out.2003.
- FOUCAULT, M. Microfísica do Poder. 2ª edição. Rio de Janeiro: Graak, 1981
- KATZ, S. - The science of quality of life. Editorial. J Chron Dis. v. 40, n. 6, p. 459-463, 1987.
- MASLOW, A. Toward a Psychology of Being. Rev. Ed. Princeton, New Jersey: Van Nostrant, 1968.
- MEKSENAS, P. Cidadania, poder e Comunicação. São Paulo: Corteza, 2002.
- PINSKY, J. e PINSKY, C.B. (orgs). História da Cidadania. 2ª edição. Ed. São Paulo: Contexto, 2003.
- RIAÑO, D. G. Calidad de Vida - Aproximación Histórico-Conceptual, Boletin de Psicologia. v. 30 (20), p. 55-94, 1991.
- The WHOQOL-Group. The World Health Organization Quality of Life Assessment (WHOQOL): development and general psychometric properties. 1998. Soc Sci Med v. 46, n. 12, p. 1569-85, 1998.

O Uso das Metáforas no Enfrentamento do Câncer
Márcia de Carvalho Stephan
Vice-Presidente SBPO (2006-2008)
Trabalho apresentado no X Congresso da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia - Fortaleza - Agosto de 2008
Este trabalho vai analisar 3 formas de metáforas usuais no discurso do tratamento do Câncer. Seu objetivo é contribuir para a compreensão da textura da palavra e melhoria da comunicação entr eo opaciente e seus cuidadores
Segundo a Wikipedia ( on line )Metáfora é uma figura de estilo (ou tropo linguístico), que consiste numa comparação entre dois elementos por meio de seus significados imagísticos, causando o efeito de atribuição "inesperada" ou improvável de significados de um termo a outro.
Didaticamente, pode-se considerá-la como uma comparação que não usa conectivo por exemplo, "como"), mas que apresenta de forma literal uma equivalência que é apenas figurada.
Metáfora é o emprego da palavra, fora do seu sentido normal segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.(on line ) usado em geral na explicação de conceitos mais abstratos e complexos.
Ex:O alvo da batalha é o Câncer
O Drama como Metáfora
“O surgimento de uma doença como o câncer é um evento traumático na vida da maioria das pessoas, seja pelo estigma que a doença carrega de morte, dor e solidão, seja pelos tratamentos, na maioria das vezes, agressivos, ou mesmo pelas limitações da Medicina em uma área onde ainda há muito a ser descoberto.
A interrupção de planos futuros, as mudanças físicas e psíquicas, do papel social e do estilo de vida, bem como as preocupações financeiras e legais são assuntos importantes para o paciente de câncer. É um fato que estimula uma complexa rede de condições que se alternam a cada fase da doença, modificando a dinâmica de vida do paciente, desde sua rotina diária até sua estrutura familiar e conjugal, de onde se pode afirmar que o câncer muitas vezes é encarado como “tragédia”
Assim se expressa A Psico-Oncologista Jessica Riba em sua monografia entitulada O SENTIDO DA EXPERIÊNCIA DAS MULHERES MASTECTOMIZADAS: UMA INVESTIGAÇÃO FENOMENOLÓGICA usando a metáfora do DIAGNÓSTICO como um momento trágico (4).
É a evidência inconteste da presença da doença.
Gerd Bornheim (apud Riba) afirma que o trágico é uma experiência de vida e, portanto, difícil falar da singularidade dessas mesmas vidas que são presenteadas pela situação trágica.
A experiência do herói trágico seria, nesse sentido, incomunicável. Assim, também, o mesmo parece valer para o dever assumido pelo herói trágico.
Neste sentido o enfrentamento está em lidar com a verdade.
O paciente/herói não escapa de seu destino. Tem que lidar com a doença. A evidência se impõe.
“E o chão sumiu; minha vontade foi sair andando, atravessar a rua e foi assim que eu me senti. Como se fosse final de linha mesmo, para mim! Foi assim que me senti”
Assim é o discurso de uma das pacientes recém diagnosticadas com um Câncer de Mama entrevistadas para o trabalho de Riba.
A Luta como Metáfora
É facilmente adaptável ao câncer pois há um INIMIGO -o câncer,um COMANDANTE –o médico,um COMBATENTE –o paciente,ALIADOS –a equipe de saúde e ARMAS :químicas,biológicas e nucleares.
Denota um propósito sério o que é desejado tanto pelo paciente como pela equipe de saúde.
Tem uma excepcional capacidade de definir um FOCO e suas imagens de PODER e AGRESÃO servem como forte contraponto à impotência e passividade associadas às doenças graves.
É usada em campanhas de marketing de produtos antineoplásicos afirma Reisfeld,G. e Wilson,G. em seu artigo O Uso da Metáforas no Discurso do Câncer (3) publicado no Journal of Clinical Oncology.(oct-2004)
Em seu livro A Batalha Pessoal (6) Cornelius Ryan assim descreve o tratamento de seu câncer de próstata ”Eu me sinto como se um tanque tivesse passado por cima de meu estômago durante vários dias sem parar.Eu tenho uma nítida tatuagem do campo de batalha em meu abdômen.O ataque teve sucesso porém espero um contra-ataque a qualquer momento.Entretanto eu me circundei de arame farpado,minas terrestres e muitas esquadras de infantaria que estão prontas a dominar por todos os lados.”
A metáfora marcial tem porém limitações:
É inerentemente masculina, baseada em poder, paternalista e violenta.Alguns pacientes não se adequam a esta forma de enfrentamento.
Goopman, J. em seu livro ”The Anatomy of Hope”(5) descreve um paciente com um Linfoma tratável que recusa tratamento por ter presenciado os esforços infrutíferos que um companheiro da Guerra do Vietnam fez.Foi necessário compreender esta vivência para que a terapêutica pudesse começar.
A metáfora da guerra sugere que GANHAR a guerra contra o câncer é apenas uma questão de lutar com muita força.
O enfrentamento pela LUTA EM SI pode ser uma cilada, pois sabemos que muitas vezes o tratamento falha e o inimigo ganha. A passagem para os CUIDADOS PALIATIVOS pode ser sentida como FALHA, DERROTA.
A OBSTINAÇÃO TERAPÊUTICA pode também ser a resultante do uso exclusivo desta metáfora. Criar uma cultura em que perder ou largar o tratamento não é aceitável pode levar o paciente a sentir-se culpado e inadequado.
Quando o câncer é o ALVO os aspectos social, psicológico e existencial são excluídos pois lutar a qualquer custo é a missão.
Outra falácia é o MEDO DO ABANDONO da equipe de saúde se o inimigo estiver vencendo. A equipe vai se empenhar em uma batalha que ainda possa ser vencida e o paciente teme ser deixado sozinho para lutar o resto da guerra.
A Jornada como Metáfora
A vida é uma JORNADA. Esta metáfora é tão universal que é facilmente impressa nas vidas que foram radicalmente alteradas pelo câncer.
É particularmente adequada ao câncer no Século XXI onde a doença foi amplamente transformada de um evento AGUDO em uma moléstia CRÔNICA.
A JORNADA propicia a discussão de objetivos, direções e progresso.
O cataclisma de um diagnóstico de câncer pode ensejar o exame da autenticidade da jornada pessoal. A comparação com uma auto-estrada onde o paciente navega em velocidade de cruzeiro com vistas ao futuro e no controle da situação é perdida.
Ainda se tem uma JORNADA, porém há desvios involuntários de rota provocados pela doença grave que envolvem sofrimento e dúvida.
Estes sentimentos podem ser amainados com a descoberta de novos sentidos de vida, fontes de coragem, força, determinação e oportunidades para o crescimento pessoal e espiritual. A importância da questão da transcendência é matéria atualíssima que ocuparia inúmeros trabalhos e não são o objeto deste artigo.
A JORNADA fala de possibilidades para a exploração,determinação, esperança,descoberta e mudança.
A JORNADA da vida, já iniciada com o nascimento, perdura por todo o percurso do tratamento do câncer e para além.
O RITMO, a ROTA e a DESTINAÇÃO do caminho podem mudar, repetidamente e muitas vezes.
Não se usam os conceitos de vencer, perder ou falhar. No caminho há diferentes estradas para viajar, várias avenidas a serem exploradas e SEMPRE HÁ SAÍDAS.
Uma discussão sobre o momento em que os Cuidados Paliativos são a melhor solução merece aprofundamento.
Ao médico e à equipe de saúde pode ser confiado o papel de GUIA SAPIENTE que acompanha o paciente. CAMINHANTE/VIAJANTE em sua jornada lado a lado, aconselhando qual caminho tomar.
O respeito à escolha do VIAJANTE é garantido.
Não há medo do abandono, pois TODOS somos caminhantes.
Como um belo exemplo do uso da Metáfora da Jornada podemos citar o mundialmente famoso ciclista Lance Armstrong.
Diagnosticado com um câncer testicular metastático Lance iniciou imediatamente seu tratamento. Assim que a quimioterapia começou a mostrar respostas ele afirmou”Eu abri um espaço no percurso. Eu sabia que se fosse curado esta seria a forma:como num arranque inesperado em uma corrida. Os marcadores tumorais eram meus motivadores, minha malha amarela. Eu comecei a pensar na minha recuperação como uma contagem de tempo no Tour de France. Eu queria destruir as pernas do câncer, queria ser mais rápido da mesma forma como eu fazia com os meus competidores da corrida.”(1)
Lance venceu 5 vezes o Tour de France depois do tratamento.
Conclusão
O uso de metáforas pode ter uma influência poderosa na experiência do adoecimento e no exercício dos cuidados de saúde.
As metáforas criam e descrevem similaridades.
Nosso sistema conceitual é modificado bem como o conhecimento, as atitudes e os comportamentos em relação ao conceito comparado.
Para o profissional a metáfora é um sistema rápido e eficaz para a compreensão de processos biológicos complexos.
Para o paciente a metáfora é uma forma de ordenar um mundo repentinamente fora de controle. Ajuda a compreender, comunicar e simbolicamente controlar a doença.
Para a relação terapêutica a metáfora pode ser a base para o conhecimento compartilhado da realidade clínica.
Nenhum conceito metafórico é inerentemente bom ou mau.
A metáfora é contextual. Tem seus pontos fortes e suas fraquezas.
Cabe ao profissional de saúde identificar dentro dos conceitos de cada paciente qual será a mais adequada e facilitadora ao enfrentamento da doença.
Referências Bibliográficas:
1-Armstrong L.: It's Not About the Bike: My Journey Back to Life. New York, NY, G.P. Putnam's Sons, 2000
2-Groopman,J. The Anathomy of Hope Random House NY,2004
3-Reinsfield,M.G, Wilson,G.R. Use of Metaphor in the Journal of Clinical Oncology, Vol 22, No 19 (October 1), 2004: pp. 4024-4027
2004
4-Riba, J. O Sentido da Experiência das Mulheres Mastectomizadas : Uma Investigação Fenomenológica.Monografia de Final de Curso IFEN- Instituto de Psicologia Fenomenológico –Existencial do Rio de Janeiro .RJ Maio 2008
5- Ryan C, Ryan KM: A Private Battle. London, United Kingdom, New English Library, 1981

Cuidados Paliativos em Pacientes Adultos
Ana Valéria Paranhos Miceli - anavaleriapm@gmail.com
Resumo de palestra proferida no X Congresso de Psico-Oncologia da SBPO, Fortaleza, Agosto de 2008.
Segundo a ONU 1, cuidado paliativo é uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares quando encaram problemas associados a doenças que ameaçam a vida. Dá-se através da prevenção e do alívio do sofrimento, isto é, da identificação precoce e do impecável tratamento da dor e de outros sintomas de ordem física, psicossocial e espiritual. É o cuidado ativo total de pacientes com doença não responsiva ao tratamento curativo. Muitos aspectos dos cuidados paliativos são aplicados também no início do curso da doença, em conjunto com tratamentos que pretendem prolongar a vida, como quimioterapia e radioterapia, fazendo as investigações necessárias para a melhor compreensão e manejo de complicações clínicas que trazem sofrimento.
Quando falamos em cuidados paliativos, devemos ter em mente que estes podem se referir tanto aos tratamentos paliativos mais invasivos sem fins curativos, de modo a melhorar a qualidade de vida e/ou a prolongar a vida de pacientes, quanto aos cuidados paliativos clínicos, além dos psicológicos, sociais e espirituais para controle de sintomas2. É preciso deixar claro que os pacientes não elegíveis para tratamento curativo não necessariamente estão em fase terminal de doença nem mesmo necessariamente em fase avançada de doença.
Na filosofia do cuidado paliativo, a morte é um processo natural da vida, não devendo nem ser apressada nem postergada, e sempre que possível, ocorrer em casa, junto às pessoas queridas. Os pacientes necessitam receber alívio e conforto até a morte e devem ser ajudados a viver o mais ativamente possível até sua morte. A família deve receber suporte no enfrentamento da doença do paciente e no luto. O trabalho é necessariamente multiprofissional, realizado por equipe qualificada e bem treinada, respeitando-se os princípios da Bioética e os limites da medicina.
Os cuidados ao fim da vida são os cuidados paliativos a pacientes em estágio terminal de doença, e são pouco invasivos, mais simples tecnologicamente. É desejada a prática da ortanásia, onde o sofrimento não é prolongado nem a morte é apressada, pois não cabe a obstinação terapêutica que leva à evitação da morte a qualquer custo (distanásia).
De toda forma, frente aos cuidados paliativos como um todo é necessário que se faça uma avaliação criteriosa dos riscos / benefícios; uma avaliação dos efeitos benéficos e adversos trazidos; conhecer bem o paciente, para saber como abordá-lo; ter habilidade de comunicação, sendo honesto, porém sensível; não retirar a esperança, mas redirecioná-la do futuro para o presente; acolher a família e com ela fazer uma aliança.
Na Idade Média, o hospitium oferecia hospitalidade a pessoas que necessitavam de ajuda, moribundos inclusive, e somente em 1842, em Lyon, surgiu o 1º hospício especificamente para moribundos. Em 1883, em Londres, o St Luke’s Home foi o primeiro a ter direção médica e o mais parecido com os hospices modernos, dentre os quais o St Christopher’s Hospice, em Londres, foi o primeiro, fundado em 1967 por Cicely Saunders3.
Saunders percebeu que o adequado alívio da dor física favorecia a comunicação entre paciente e equipe, possibilitando a percepção de outros tipos de sofrimento. Isto significava que o sofrimento do paciente terminal não era somente físico, mas uma combinação de elementos físicos, psicológicos, sociais e espirituais, combinação esta que Cicely Saunders, em 1964, chamou “dor total”. A dor terminal era uma síndrome, uma doença em si mesma sendo várias as facetas do sofrimento do paciente no fim da vida e múltiplas as suas necessidades que ele demandava, assim como a sua família que juntos deveriam ser considerados uma unidade de cuidado (Unit of Care)4,5.
Em 1985, foi criada a Associação de Medicina Paliativa da Grã Bretanha e Irlanda. Em 1986 a ONU lança o Manual “Alívio da dor em câncer”, publicado em 19 línguas. Em 1987 a Medicina Paliativa torna-se especialidade médica na Inglaterra3. Em 1990, a ONU publica as recomendações para o alívio da dor em câncer e cuidados paliativos1. Como resultado do movimento hospice, em 2002 já havia cerca de 8000 hospices/ programas de cuidados paliativos em 100 países6.
No Brasil, em 1991 é inaugurado o Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital do Câncer I/INCA7. Em outubro de 1997 é fundada a Associação Brasileira de Cuidados Paliativos – ABCP. No ano de 1998 é inaugurada a Unidade de Cuidados Paliativos do INCA7. Em 2002, a Portaria GM/MS nº 19 institui o Programa Nacional de Assistência à Dor e Cuidados Paliativos8 e no âmbito científico, é lançado o 1º Consenso Nacional de Dor Oncológica9, realizado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), a Associação Brasileira de Cuidados Paliativos (ABCP) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Em 2005, é lançada a Portaria GM/MS nº 2.439 que institui a Política Nacional de Atenção Oncológica: Promoção, Prevenção, Diagnóstico, Tratamento, Reabilitação e Cuidados Paliativos8.
A medicina paliativa é o cuidado intensivo ao doente e extensivo à família. A ênfase no curar (preservar a vida) dá lugar à ênfase no cuidar (aliviar o sofrimento).
O paciente em estágio avançado de doença apresenta fragilidade física e psíquica, dor e incapacidade funcional, que leva à dependência do outro e à desorganização da dinâmica familiar. São comuns os sentimentos de menos valia, vergonha, constrangimento, culpa, levando à baixa auto-estima. Pode apresentar ansiedade, depressão e outros distúrbios psiquiátricos, sendo importante o diagnóstico diferencial com outros sintomas. Mecanismos psicológicos de defesa como isolamento e negação são comuns assim como medos relacionados à morte, medos estes extensivos à família e à equipe de cuidados.
O trabalho do psicólogo em cuidados paliativos é antes de tudo escutar. É avaliar e cuidar do paciente e de seus familiares e cuidadores; auxiliar na compreensão das informações recebidas, na elaboração das mesmas e nas tomadas de decisão, respeitando-se as necessidades e as possibilidades, explorando recursos internos e externos, de acordo com a fase do adoecimento e favorecendo as ressignificações. É ajudar na elaboração da dança de papéis trazidas pela doença, assim como o empobrecimento e possíveis litígios decorrentes destas mudanças. É facilitar a comunicação entre os sistemas envolvidos, fator primordial para o sucesso do tratamento. É estimular a expressão de questões relacionadas à finitude, ao sentido da vida, ao sentido da morte. É cuidar da equipe multiprofissional, e, se necessário, de seus membros isoladamente. É oferecer apoio aos familiares após a morte: serviço de luto.
Muitas são as dificuldades encontradas neste percurso, sobretudo as advindas de problemas de comunicação envolvendo paciente, família, equipe; da formação médica; do despreparo dos cuidadores; das condições sócio-econômica-culturais; do baixo investimento em pacientes ao fim da vida e do tabu da morte.
Referências Bibliográficas:
1- WHO- Cancer Pain Relief and Palliative Care Report of a WHO Expert Committee , 1990.
2- Miceli AVP. Dor Crônica e Subjetividade em Oncologia. Revista Brasileira de Cancerologia 2002; 48 (3): 363-373.
3- Twycross R. Medicina Paliativa: Filosofía y Consideraciones Éticas. Acta bioeth 2000; 6(1).
4- Clark D. “Total pain”, disciplinary power and the body in the work of Cicely Saunders, 1958-1967. Social Science & Medicine, 1999; 49: 727-736.
5- Saunders C. The evolution of palliative care. Patient Education and Counseling, 2000; 41: 7- 13.
6- Hutchinson TA. Some cool letters from Cicely Saunders. Book reviews: Cicely Saunders: Founder of the Hospice Movement. Selected letters 1959-1999. Edited by Clark D. NY: Oxford University Press, 2002. Journal of Pain and Symtom Management, 2003; 26: 4.
7- INCA. Disponível em : www.inca.gov.br .
8- MS. Portarias. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/saude/
9- SBED, ABCP e SBOC (coord.). 1º Consenso Nacional de Dor Oncológica. São Paulo: EPM: 2002.

RELATÓRIO DA GESTÃO 2006 – 2008 elaborado pela Secretária Geral da SBPO, Nely Aparecida Guernelli Nucci
Em Assembléia Geral Ordinária realizada no dia 30 de abril de 2006, durante a realização do IX Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia e II Encontro Internacional de Psico-Oncologia e Cuidados Paliativos, na cidade de São Paulo/capital, foi eleita por votação unânime dos presentes, a Diretoria Executiva da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia para o biênio 2006-2008. Foram empossados como Presidente - Elisa Maria Perina; Vice-Presidente - Márcia de Carvalho Stephan, Secretária Geral, - Nely Aparecida Guernelli Nucci; 1º Secretária - Luciana Pagano Castilho, 2º Secretária – Dóris L. Peçanha; 1º Tesoureira – Maria Jacinta Benites Gomes e 2º Tesoureira – Verenice Pereira Ventura Prudente. Essa Diretoria buscou cumprir as propostas apresentadas quando de sua eleição: integrar os associados e profissionais das várias regiões do Brasil, bem como das áreas pediátrica e assistência a pacientes adultos, aumentar o número de associados e manter as propostas da Diretoria anterior. Acreditamos ter cumprido seus objetivos e ter colaborado para a realização dos projetos da Diretoria anterior. Devemos, nesta oportunidade, expressar nossas enormes dificuldades que passaram pela distância geográfica entre seus membros, prejudicando encontros freqüentes o que foi amenizado pela comunicação on-line, depois que fomos nos habituando a essa nova modalidade de interlocução e até pela necessidade de construção de um modelo de gestão que envolvesse as características de cada um de seus membros, seus recursos e limites próprios.
Nossos esforços foram incessantes na motivação e articulação para realização de estudos multicêntricos com profissionais, estudiosos e pesquisadores da SBPO, do Brasil e de algumas partes do mundo. Temos certeza que boas sementes foram plantadas.
Além desses objetivos iniciais procuramos e conseguimos concretizar a expansão da SBPO. Contamos hoje com 251 associados, com um acréscimo de 72 associados, de acordo com o número de 179 associados citado na ata da última Assembléia Geral, de 30 de abril de 2006.
Em um esforço muito pessoal, a Presidente e a Secretária Geral ampliaram as relações de parceria e trabalho da SBPO junto à IPOS. Com orgulho, podemos dizer que não medimos esforços, para preservação da representatividade e da parceria com centros internacionais, acreditando verdadeiramente na importância dessas relações. Participaram de três Congressos Internacionais, realizados na Itália, Inglaterra e Espanha. No 8th World Congresso of Psycho-Oncology, em Veneza, tiveram assento na reunião das Sociedades Nacionais, quando a SBPO apresentou o levantamento psicossocial realizado no Brasil, ocupando lugar de destaque nas propostas de intervenção e ensino. No 9th Congress realizado em Londres, em 2007, discutimos a proposta de criação da Federação da IPOS, com a participação da Secretária Geral constando em ata dessa reunião, posicionando-se a favor dessa iniciativa e garantindo o apoio da SBPO. Como resultado dessas participações, na pessoa da Presidente e da Secretária Geral, a SBPO foi convidada pela Dra. Luzia Travado, de Portugal, e integrante do board da IPOS, a traduzir do inglês para o português, um Core Curriculum a ser disponibilizado no site da IPOS, buscando atingir os países de língua portuguesa – Portugal, Brasil e África. No último Congresso Internacional, 10th World Congress, realizado na Espanha, 2008, a Presidente integrou a Comissão Científica Internacional, participando da avaliação dos trabalhos científicos, da coordenação de mesas e apresentação oral da proposta de capacitação em Cuidados Paliativos do Programa Onco Rede, realizada em parceria com a SBPO e Unicamp/Caism. Em conjunto com a Secretária Geral organizou um Simpósio de Psico-Oncologia Pediátrica. Participou da primeira reunião da recém criada Federação das Sociedades Nacionais de Psico-Oncologia, assinando a participação da SBPO e sua representação. Dessa reaproximação com a IPOS resultou, também, a vinda da Dra. Luzia Travado ao Brasil, contribuindo para o sucesso do X Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia.
Procuramos ser bastante criteriosos na aprovação de propostas que implicassem despesas financeiras para a SBPO. Por isso foi muito discutida a necessidade de atualização do site, resultando na contratação de uma empresa especializada que trabalhou sob a supervisão da Vice-Presidente, resultando em uma nova versão, bastante elogiada pelos visitantes e que procurou trazer uma nova linguagem virtual e recursos tecnológicos dos mais atuais.
Uma das preocupações dos membros desta Diretoria foi preservar e buscar a concretização dos projetos em andamento que recebemos da gestão anterior. Como já vinha sendo programado, a cobrança das anuidades passou a ser através de boleto bancário, trabalho realizado pela Tesouraria o que muito contribuiu para a facilidade do pagamento pelos sócios e na organização contábil. Os dados de todos os sócios foram atualizados, colaborando para melhoria na comunicação, envio de boletos, intercâmbio, etc.
Foram mantidas discussões sobre a reformulação do Estatuto, juntamente com o Dr. Fernando Fernandes da Silva, advogado que já havia sido contratado para essa assessoria jurídica, culminando com a finalização desse processo de atualização, o envio da minuta a todos os sócios (via e.mail) para apreciação e a apresentação da proposta nesta Assembléia Geral, para referendo.
A Comissão de Cursos e Pesquisas, criada nesta gestão, apresentou proposta para revisão dos critérios para reconhecimento e apoio a cursos de Psico-Oncologia. Em discussão entre os membros da Diretoria Executiva foram deliberadas as normas para a concessão de apoio e chancela da SBPO a eventos científicos e cursos, divulgados no site.
Confeccionamos novo folder da SBPO, distribuído nos eventos dos quais participamos e organizamos, aumentando a visibilidade da Sociedade.
Mantivemos, também, o compromisso de publicação do livro Temas em Psico-Oncologia, organizado pela Diretoria anterior.
Além da manutenção dos Comitês e Comissões já instituídos anteriormente – Comitê de Pediatria, Comissão Científica, Comissão de Certificação, Comissão de Divulgação, foram criadas as Comissões: Saúde da Mulher, Cuidados Paliativos e a de Cursos e Pesquisas.
Parcerias importantes foram estabelecidas: Sociedade Brasileira de Mastologia (colaboramos para a criação do Comitê de Psico-Mastologia), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Sociedade Latino-Americana de Oncologia Pediátrica, Sociedade Brasileira de Cancerologia, Sociedade Mexicana de Psico-Oncologia, Instituto de Pesquisa e Ensino do Centro Infantil Boldrini/Campinas-SP, Hospital Municipal Dr. Mário Gatti/Campinas-SP, Serviço de Oncologia do Hospital das Clínicas – Unicamp/Caism, Onco-Rede, INCA (participação da Vice-Presidente no Curso de Especialização em Psicologia Oncoloógica), SION – Serviço de Oncologia do Hospital Beneficência Portuguesa/São Paulo-capital, Instituto do Radium (Campinas/SP) e Instituto Ronald Mcdonald, junto ao qual nos cadastramos e com quem firmamos convênio para o patrocínio a este Congresso, o que muito nos honra pelo reconhecimento que representa ao nosso trabalho e à seriedade de nossas propostas. Esse cadastramento nos habilita a manter essa parceria para futuros empreendimentos.
Apoiamos e/ou participamos de inúmeros eventos nas mais diversas regiões do país, dentre os quais podemos citar:
• II Curso para Cuidadores Formais em Saúde, realizado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em agosto de 2006.
• IV Seminário de Reflexões sobre a Vida e a Morte, realizado pelo CAISM/UNICAMP, em 5 e 6 de outubro de 2006.
• XVII Congresso Brasileiro de Cancerologia, realizado em Belo Horizonte/MG, em novembro/2006.
• 1ª Jornada de Psico-Oncologia do Hospital de Câncer de Barretos, em dezembro de 2006.
• 19º Congresso da SLAOP, quando a Presidente e a Secretária Geral, em conjunto com a Sociedade mexicana de Psico-oncologia e Comitê psicossocial da SLAOP, participaram da organização do I Congresso mexicano de Psico-oncologia Pediátrica em Puebla, México. O estreitamento dos laços com a SMPO proporcionou visita ao Instituto Nacional de Pediatria e uma reunião com a Sociedade Mexicana de Psico-Oncologia no Instituto Nacional do Câncer em Ciudad de México. Resultou, também, na vinda do Prof. Dr. José Mendez ao X Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia, quando foram discutidos projetos consolidando essa parceria.
• Palestra organizada pela Casa de Apoio Durval Paiva em 10 de abril de 2007, na cidade de Natal/RN.
• 37º Jornada Paulista de Radiologia, realizada em São Paulo/SP, de 12 a 15 de abril de 2007.
• II Congresso Cearense de Cancerologia, realizado de 27 a 30 de abril de 2007, em Fortaleza/CE.
• Curso de Extensão Universitária em Psico-Oncologia, realizado pelo IBH – Instituto Brasileiro de Hipnose Aplicada – Rio de Janeiro, de maio de 2007 a maio de 2008.
• V Conferência Internacional de Onco-Hematologia, realizada de 25 a 27 de maio de 2007, em Mogi das Cruzes/SP.
• Jornada de Psico-Oncologia do Hospital Aristides Maltez, Salvador/BA, em maio/2007.
• Jornada Internacional de Luto, promovida pelo instituto 4 Estações, em junho/2007.
• IV Congreso Latinoamericano de Psicología de la Salud e XI ENPAH – Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar - ALAPSA, em novembro/2007.
• Curso de Psico-Oncologia e Jornada de Psicologia Hospitalar do Ophir Loyola, realizado de 27 a 29 de junho de 2007 no Hospital Ophir Loyola em Belém/PA.
• I Congresso SION de Psico-Oncologia, realizado de 27 a 29 de julho de 2007, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo/capital.
• III Curso para Cuidadores Formais em Saúde, realizado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em agosto de 2007.
• VI Congresso da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, realizado de 12 a 15 de setembro de 2007, em Natal/RN.
• XIV Congresso Nacional de Voluntários e Instituições de Apoio à Criança e ao Adolescente com Câncer, realizado de 3 a 5 de outubro de 2007, em Aracaju/SE.
• I Jornada de Psico-Oncologia e Educação para a Morte, realizado pelo CEPPO/SION Piracicaba, em 23 e 24 de novembro de 2007, na cidade de Piracicaba/SP.
• Congresso Paulista de Mastologia – Regional Paulista – São Paulo – Novembro/2007
• I Simpósio Multiprofissional de Oncologia do Hospital Santa Catarina, realizado nesse hospital em São Paulo/SP, em 4 e 5 de abril de 2008.
• Simpósio de Psico-Oncologia – Atuações e Atualidades, realizado pelo HC Unicamp, em Campinas/SP, em 17 e 18 de maio de 2008.
• I Encontro de Psico-Oncologia da Associação Peter Pan, de 30 a 31 de maio de 2008, em Fortaleza/CE.
• II Curso de Educação para a Morte, organizado pelo Centro de Estudos Antonio dos Santos Rocha, da Faculdade de Ciências Médicas da USP, São Paulo, de março a novembro de 2008.
• IV Curso para Cuidadores Formais em Saúde, realizado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, em agosto de 2008.
• Jornada de Recreação Hospitalar. Hospital das Clínicas, Porto Alegres/RS, em agosto de 2008.
Organizamos e realizamos:
• Simpósio de Psico-Oncologia no Congresso Brasileiro de Cancerologia, realizado em Belo Horizonte/MG, em novembro de 2006, com convite e nosso aceite e para essa mesma participação no próximo Congresso, a ser realizado em 2009.
• Simpósio de Psico-Oncologia realizado no XV Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, realizado em Belo Horizonte/MG, de 31 de outubro a 3 de novembro de 2007. Recebemos convite e aceitamos participar do próximo Congresso, em 2009.
• I Reunião da SBPO em Minas, realizada no dia 25 de maio de 2007, em Belo Horizonte/MG.
• Curso Pré-Congresso: As Dimensões do Cuidar em Psico-Oncologia Pediátrica, realizado no XIV Congresso Nacional de Voluntários e Instituições de Apoio à Criança e ao Adolescente com Câncer , realizado de 3 a 5 de outubro de 2007, em Aracaju/SE.
• Curso Introdução à Psico-Oncologia, realizado pela SBPO, Instituto de Pesquisa Boldrini e Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, Campinas/SP, de 31 de março a 16 de junho de 2007.
• Primeiro curso on-line de Psico-Oncologia, conquista da representação do Estado de Minas Gerais, através da psicóloga Marília Aguiar, que articulou parceria junto à Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Fundação Educacional Lucas Machado – FELUMA.
• Workshop de Psiconeuroimunologia, em parceria com o IEPS – Instituto de Ensino e Pesquisa em Psicologia da Saúde, em Belém/PA, no dia 29 de abril de 2008.
• Palestra “O Esforço da Cura na Experiência do Paciente com Câncer”, proferida no auditório do Centro Infantil Boldrini, Campinas/SP, em 15 de agosto de 2008, pelo Dr. Benjamin Jacobi, da Universidade Aux-Marselhais, França.
• Em 2006 foram aprovados pela FUNDAP e tiveram início os Programas de Aprimoramento em Psico-Oncologia (adulto e pediatria), com vagas no Hospital das Clínicas e Setor de Onco-Hematologia Infantil / FCM - UNICAMP e no Centro Infantil Boldrini, na área de Psico-Hematologia.
• Foram concedidas entrevistas em jornais e TV (cadeia nacional), como Folha de São Paulo, TV Senado, Rede Família, Rede Vida.
Deixamos em andamento:
1) Proposta para a realização, em 2009, de Curso de Especialização em Psico-Oncologia, dentro das normas estabelecidas pela SBPO, firmando apoio com Instituto de Pesquisa do Centro Infantil Boldrini e Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, credenciado como Hospital Ensino pelo Ministério da Saúde e da Educação.
2) Apoio ao XX Congresso da Sociedade Latino Americana de Oncologia Pediátrica e I Congresso Latino-Americano de Psico-Oncologia Pediátrica, I Encontro Multiprofissional e de Enfermagem em Oncologia Pediátrica da América Latina.
3) Encaminhamento ao Conselho Federal de Psicologia de proposta para credenciamento da Psico-Oncologia como especialidade, distinguindo-a da Psicologia Clínica e Psicologia Hospitalar, facilitando seu reconhecimento profissional e acadêmico.
4) Convite aceito para organizar e realizar Simpósio de Psico-Oncologia no Congresso Brasileiro de Cancerologia em 2009.
5) Convite aceito para organizar e realizar Simpósio de Psico-Oncologuia no Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica em 2009.
6) proposta discutida com a psicóloga Ana Valéria Miceli para realização de Simpósio de Psico-Oncologia da SBPO em cojunto com o INCA, em 2009.
7) proposta para criação de Núcleos da SBPO em Barretos, São José do Rio preto e Sorocaba – SP.
Temos convicção do dever cumprido. Procuramos sempre dignificar o nome da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia, dela não nos esquecendo em todos os eventos que participamos, divulgando-a em todas as oportunidades que nos foram oferecidas. Esperamos ter contribuído para a manutenção da honradez de sua história e que nossos esforços, enfim, tudo que realizamos, representem mais um passo em direção ao crescimento da SBPO para que possa sedimentar e conquistar espaços, cada vez mais destacados, junto à sociedade científica brasileira.



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